Aplicativo FaceApp vira febre, mas recolhe dados de usuários

16/07/2019 10:020 comments

A internet “envelheceu” neste fim de semana após o aplicativo FaceApp se tornar viral. Isto porque ele permite, por meio de fotografias, mostrar como ficaríamos velhos. O sucesso foi tanto que FaceApp rapidamente foi para o topo dos downloads nas lojas de apps em boa parte do mundo. Mas, o que muitos usuários não sabem é que o aplicativo foi criado para recolher dados.

Foto: Divulgação

A empresa responsável pelo desenvolvimento do FaceApp é a russa Wireless Lab, que por meio do aplicativo está formando uma enorme base de dados recolhendo as informações dos usuários. Na política de privacidade, um dos itens especificados pelos criadores da aplicação, é que ao fazer o download o internauta concorda “diretamente” em fornecer fotografias e outras referências como, por exemplo, histórico de navegação.

A partir disso, os desenvolvedores podem usar cookies e outras tecnologias parecidas para recolher informações sobre o usuário. Quem já deve está na base de dados da organização é a jornalista Isabele Benito. Ela entrou na modinha e baixou o aplicativo. A comunicadora se considera uma pessoa muito descuidada quando o assunto é ambiente digital.

“Eu não sou uma pessoa que toma cuidado. Eu sou daquelas que baixa tudo, aceita tudo”, afirma. Mas, Isabele reconhece que é importante ficar alerta no ambiente digital. “Eu deveria ter mais cuidado e ultimamente estou pesquisando mais sobre isso”, conclui. Para não ficar de fora da modinha e movida pela curiosidade, não é só a apresentadora que é desatenta.

A assistente de comunicação, Andreza Vieira, de 24 anos, disse que não costuma ler políticas de privacidade e geralmente permite todos acessos. “Eu não me ligo nessas coisas, geralmente, a gente já faz isso no automático e não toma muito cuidado. Às vezes a pressa e curiosidade deixa a gente vulnerável”.

Já Suelen Faria, de 34 anos, é editora de vídeos, e por conta da atividade que desenvolve, procura se prevenir. “Eu vivo passando anti-vírus no celular, no computador. Antes de baixar algum aplicativo eu leio bem a descrição, busco ver na internet algum artigo sobre. Sou preocupada”, confirma. A atitude da videomaker é a indicada pelos especialistas.

Segundo o analista de tecnologia, Allan Barbosa, 30, antes de instalar um aplicativo é fundamental ler a descrição de quais permissões de acesso são requisitados, além da política de privacidade do app. “Veja se você está de acordo com um possível uso de seus dados, como fotos ou vídeos por parte dos desenvolvedores. Caso não concorde, não instale”, orienta.

O especialista recomenda também que o usuário fique atento com aplicativos de desenvolvedores pouco conhecidos. “Procure ler as avaliações deixadas pelos usuários, se o desenvolvedor as responde e qual a nota média do aplicativo. Um aplicativo com baixa reputação pode ter problemas na entrega de seu serviço e apresentar também outras falhas indesejadas”, ressalta.

Texto: Bruna Lima/Tupi FM