Bolsonaro teme transição de poder não pacífica na Venezuela

24/01/2019 08:280 comments
Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, declarou-se presidente interino do país Reuters/Carlos Garcia Rawlins/Direitos Reservados

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo brasileiro acompanha com “muita atenção” os desdobramentos da crise na Venezuela. Ele admitiu que teme um processo de transição não pacífico entre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o interino, Juan Guaidó. Segundo ele, o Brasil “está no limite” do que pode fazer em relação ao país vizinho.

Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, declarou-se presidente interino do país Reuters/Carlos Garcia Rawlins/Direitos Reservados

“A história tem mostrado que as ditaduras não passam o poder para a respectiva oposição de forma pacífica. Nós tememos as ações do governo ou melhor da ditadura do governo Maduro”, afirmou Bolsonaro em entrevista à TV Record no intervalo do Fórum Econômico Mundial (Davos, na Suíça).

Para o presidente, o mesmo temor é compartilhado por outros países. “Obviamente há países fortes dispostos a outras conseqüências”, ressaltou. “O Brasil acompanha com muita atenção e nós estamos no limite do que podemos fazer para restabelecer a democracia naquele país”, acrescentou.

Bolsonaro disse que a preocupação do Brasil é com a população venezuelana. “Desde há muito nós falamos que o bem maior de um homem e uma mulher é a sua liberdade e que [para o] povo venezuelano, nós queremos restabelecer sua liberdade.”

Reconhecimento

Ontem (23) o Brasil foi um dos primeiros países na América Latina a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Em sua conta no Twitter, Bolsonaro, postou mensagem de apoio a Guaidó.  Ao lado de líderes estrangeiros, o presidente reiterou a colaboração brasileira ao governo recém-declarado.

“O Brasil apoiará política e economicamente o processo de transição para que a democracia e a paz social voltem à Venezuela”, disse na rede social. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil também divulgou comunicado sobre o reconhecimento de Guaidó.

Ontem Guaidó, que é o presidente da Assembleia Nacional, se declarou presidente interino da Venezuela durante juramento em uma rua de Caracas. Antes do juramento, ele reiterou a promessa de anistia aos militares que abandonarem Maduro e apelou para que fiquem “do lado do povo”.

Repercussão internacional

O governo dos Estados Unidos se manifestou reconhecendo Guaidó como presidente da Venezuela. A decisão foi reforçada pelo presidente, Donald Trump, e pelo vice-presidente, Mike Pence, em suas contas na rede social Twitter. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, também reconheceu Guaidó e felicitou o deputado pelo juramento.

Entenda o caso

A situação na Venezuela se agravou após a eleição de Maduro para novo mandato, o que é contestado pela comunidade internacional. Ele tomou posse em 10 de janeiro na Suprema Corte.

Para Brasil, o Grupo de Lima, que reúne 14 países, e a Organização dos Estados Americanos (OEA), o mandato é ilegítimo e a Assembleia Nacional Constituinte deve assumir o poder com a incumbência de promover novas eleições.

Guaidó chegou a ser preso e liberado. A Assembleia Nacional, então, declarou “usurpação da Presidência da República” por Maduro.

Acordo entre Trump e Kim é recebido com ceticismo por analistas

12/06/2018 09:220 comments
O Presidente Donald J. Trump e líder norte-Coreano Kim Jong un, participam na sua reunião bilateral, terça-feira, 12 de junho de 2018, no Hotel Capella em Singapura. (foto oficial da casa branca por shealah craighead)

Apesar do entusiasmo e otimismo expressado pelos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos (EUA), e Kim Jong-un, da Coreia do Norte, após o encontro de hoje (12) em Cingapura, analistas encaram o resultado do acordo com ceticismo. A ausência de referências aos mísseis ou a prazos para a desnuclearização da Coreia são apontados como fragilidades do documento.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que “todos podem fazer a guerra, mas só os mais corajosos podem fazer a paz”. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, disse que “decidiram deixar o passado para trás” e que “o mundo vai ver grandes mudanças”.

O Presidente Donald J. Trump e líder norte-Coreano Kim Jong un, participam na sua reunião bilateral, terça-feira, 12 de junho de 2018, no Hotel Capella em Singapura. (foto oficial da casa branca por shealah craighead)

No entanto, o retrospecto de tentativas de acordo entre os dois países deixa espaço para dúvidas. O jornal português Expresso publicou um breve histórico da diplomacia nuclear entre os dois países, em que relembra as tentativas frustradas de acordos no passado, inclusive com os presidentes Bill Clinton, George Bush e Barack Obama.

“As lições a retirar dos outros dois acordos, um assinado em 1994 e outro em 2005, é que o problema não é tanto o de acordar as reuniões, o problema é – ou tem sido – fazer valer o que fica escrito no papel”, diz o periódico de Portugal.

Trump afirmou ainda acreditar que Kim vai respeitar o acordo e que as sanções à Coreia serão levantadas assim que as armas nucleares deixarem de ser uma preocupação. Acrescentou que inspetores internacionais e norte-americanos vão acompanhar o processo de desnuclearização.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, já havia dito ontem (11) que o encontro dos líderes seria apenas o primeiro passo de um processo lento e arriscado. “Um passo bastante significativo, ainda assim, se considerarmos que há apenas alguns meses Kim e Trump trocavam insultos e ameaças e comparavam a dimensão dos respectivos arsenais nucleares”, afirma o Expresso.

O jornal francês Le Figaro traz na manchete a pergunta “o que contém o acordo Trump-Kim?” e faz um balanço dos elementos incluídos no documento.

“Donald Trump assegurou que o líder norte-coreano prometeu, após assinar o documento conjunto, destruir em breve um local de grandes testes de mísseis, embora também tenha dito que essa desnuclearização levaria muito tempo, sem dar uma duração precisa”, afirma o Le Figaro. O jornal francês lembra que as negociações sobre a implementação do acordo começarão na próxima semana.

O Le Figaro afirma também que Trump anunciou que encerraria exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul contra a Coreia do Norte, descritos como “muito provocativos e muito caros”. Trump reiterou o desejo de retirar, quando chegar a hora, as tropas dos EUA na Coreia do Sul.

A britânica BBC deu destaque à afirmação de Trump sobre Kim: “direto e honesto”. Em uma série de matérias, o veículo trata da repercussão do encontro dos dois líderes.

“Trump disse que interromperia os “jogos de guerra”, enquanto Kim prometera destruir um local de testes de mísseis. O acordo também incluiu um compromisso de Kim de livrar a Península Coreana de armas nucleares. É a primeira vez que um presidente americano e um líder norte-coreano se encontram”, afirmou a BBC.

Ainda de acordo com a BBC, Trump disse que havia tratado da questão dos direitos humanos com o norte-coreano, “que administra um regime totalitário com censura extrema e campos de trabalhos forçados”. O presidente norte-americano afirmou que o assunto dos direitos humanos será retomado oportunamente.

O jornal italiano Corriere Della Sera também traz uma pergunta na capa: “A Guerra da Coreia acabou?”. E afirma que um resultado definitivo ainda é desafio. “Donald Trump chama-se ‘o artista do acordo’ e garante que é capaz de avaliar ‘em um minuto se Kim Jong-un é sincero’. Mesmo após o teste dos 60 segundos para os dois, persiste o problema de apresentar ao mundo um resultado de impacto”, afirma o Corriere.

Agência Brasil

Em mensagem pela Páscoa, Papa condena “extermínio” na Síria

02/04/2018 08:010 comments
Em mensagem pela Páscoa, Papa condena “extermínio” na Síria

O papa Francisco presidiu neste domingo (1º) a missa do Domingo da Ressurreição, na Praça de São Pedro, no Vaticano, e depois leu sua mensagem de Páscoa, na qual condenou o “extermínio” que está sendo cometido na Síria e pediu uma solução para a crise na Venezuela.

Além disso, Francisco fez a tradicional bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo) na sacada central da Basílica de São Pedro.

Sobre a Venezuela, ele pediu que seu povo, que “vive em uma espécie de terra estrangeira dentro de seu próprio país” encontre “o caminho justo, pacífico e humano para sair o mais rápido possível da crise política e humanitária que o oprime, e que não faltem acolhimento e assistência aos muitos de seus filhos que estão sendo obrigados a deixar sua pátria”.

Em seu discurso, lotado de mensagens em favor da paz e do diálogo, Francisco condenou as “injustiças e violências”, a “miséria e a exclusão”, a “fome”, a “falta de trabalho”, a rejeição social para “os refugiados”, “as vítimas do narcotráfico, do tráfico humano e das distintas formas de escravidão” atuais.

Sobre a Síria, cuja “população está extenuada por uma guerra que não tem fim”, o papa convocou “todos os responsáveis políticos e militares, para que ponham fim imediatamente ao extermínio que está acontecendo, para que se respeite o direito humanitário e se proceda a facilitar o acesso à ajuda” que a população necessita “urgentemente”.

Francisco também mencionou a Península Coreana e desejou que “as conversas em curso promovam a harmonia e a pacificação da região” e pediu aos responsáveis que “atuem com sabedoria e discernimento para promover o bem do povo coreano e construir relações de confiança no seio da comunidade internacional”.

O papa também fez votos de paz na “Terra Santa, que nestes dias também está sendo golpeada por conflitos abertos que não respeitam os indefesos, para o Iêmen e para todo o Oriente Próximo”.

Neste domingo, o papa também teve palavras para condenar a fome, os conflitos e o terrorismo na África, especialmente no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo.

Sobre a Ucrânia, ele disse que espera “que os passos em favor de um acordo se fortaleçam e facilitem as iniciativas humanitárias que a população necessita”.

Crianças sofrem pelas guerras e pela fome

Além disso, Francisco dedicou algumas palavras às crianças “que sofrem pelas guerras e pela fome” e também aos “idosos desprezados pela cultura egoísta, que descarta quem não é produtivo”.

“Invocamos frutos de sabedoria para os que têm responsabilidades políticas em todo o mundo, para que respeitem sempre a dignidade humana, se esforcem com dedicação ao serviço do bem comum e garantam o desenvolvimento e a segurança aos próprios cidadãos”, disse o pontífice.

Antes de proferir sua mensagem de Páscoa na sacada da Basílica de São Pedro, o líder da Igreja Católica presidiu a missa do Domingo da Ressurreição e pronunciou uma homilia de forma espontânea, sem ler nenhum discurso escrito.

Francisco falou de dois conceitos, a “surpresa do anúncio” de Jesus ressuscitado e “a pressa” do povo que compareceu ao sepulcro para comprovar efetivamente que ele já não estava lá.

Surpresas

O papa concluiu com uma pergunta aos presentes, ao convidá-los a refletir sobre como reagem na vida, se correm para as surpresas ou ficam quietos porque não querem arriscar.

“Tenho o coração aberto às surpresas de Deus, sou capaz de ir a correr? Ou sempre repito a frase “amanhã verei”? O que a surpresa me diz? (…) A pergunta (é): “E eu hoje, nesta Páscoa de 2018, o que faço?”, disse.

A Praça de São Pedro amanheceu decorada com milhares de flores procedentes da Holanda, como se faz desde 1985, ano em que um florista holandês decidiu realizar esta oferenda ao Vaticano a cada Domingo de Páscoa.

Transformada em um improvisado e extraordinário jardim, a praça continha cerca de 60 mil flores e plantas, entre elas 900 ramos de orquídeas verdes, símbolo de esperança e paz, mas também 6 mil jacintos, mais de 13 mil narcisos, 3 mil rosas, 500 lírios e 20 mil tulipas.

O papa Francisco concluiu assim os ritos da Semana Santa e amanhã rezará no Palácio Apostólico do Vaticano a Regina Coeli, a oração que substitui o Ângelus em tempos de Páscoa.

Aumento de bilionários em 2017 poderia acabar com a extrema pobreza por 7 vezes

22/01/2018 08:470 comments
Aumento de bilionários em 2017 poderia acabar com a extrema pobreza por 7 vezes

De toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% ficaram concentrados nas mãos dos que estão na faixa de 1% mais rica, enquanto a metade mais pobre – o equivalente a 3,7 bilhões de pessoas – não ficou com nada. Os dados fazem parte do relatório Recompensem o trabalho, não a riqueza, da organização não governamental (ONG) britânica Oxfam, divulgado hoje (22). A entidade participa do Fórum Econômico Mundial, que começa amanhã (23) em Davos, na Suíça.

O documento destaca que houve um aumento histórico no número de bilionários no ano passado: um a mais a cada dois dias. Segundo a Oxfam, esse aumento seria suficiente para acabar sete vezes com a pobreza extrema no planeta. Atualmente há 2.043 bilionários no mundo. A concentração de riqueza também reflete a disparidade de gênero, pois a cada dez bilionários nove são homens.

O Brasil ganhou 12 bilionários a mais no período, passando de 31 para 43. “Isso significa que há mais pessoas concentrando riqueza. A gente não encontrou ainda um caminho para enfrentar essa desigualdade”, disse Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

O patrimônio dos bilionários brasileiros alcançou R$ 549 bilhões no ano passado, um crescimento de 13% em relação a 2016. Por outro lado, os 50% mais pobres tiveram a sua fatia na renda nacional reduzida de 2,7% para 2%. Um brasileiro que ganha um salário mínimo precisaria trabalhar 19 anos para ganhar o mesmo que recebe em um mês uma pessoa enquadrada entre o 0,1% mais rico.

Cinco bilionários brasileiros concentram o equivalente à metade da população mais pobre do país. “O Brasil chegou a ter 75 bilionários, depois caiu, muito por causa da inflação, e depois, nos últimos três anos, a gente viu uma retomada no aumento do número de bilionários. Esse último aumento – de 12 bilionários – é o segundo maior que já houve na história. E o patrimônio geral também está aumentando”, afirmou Rafael Georges, coordenador de campanhas da entidade.

Geração de emprego

A Oxfam aposta na geração de empregos decentes como mecanismos de diminuição das desigualdades, sendo uma das recomendações da entidade. “O que o relatório aponta é que está acontecendo um movimento contrário, inclusive com vários países regredindo em proteção trabalhista”, disse Georges.

A organização recomenda ainda limitar os lucros de acionistas e altos executivos de empresas, garantindo salário digno a todos os trabalhadores. Indica também a eliminação das diferenças salariais por gênero. No ritmo atual, seriam necessários 217 anos para reduzir as disparidades entre homens e mulheres.

O relatório pede que os ricos paguem uma “cota justa” de impostos e tributos e que sejam aumentados os gastos públicos com educação e saúde. “A Oxfam estima que um imposto global de 1,5% sobre a riqueza dos bilionários poderia cobrir os custos de manter todas as crianças na escola.”

“Recompensem o trabalho, não a riqueza”

Em referência ao título desta edição do relatório, a Oxfam afirma que atualmente “os níveis de desigualdade extrema excedem em muito o que poderia ser justificado por talento, esforço e disposição de assumir riscos”. Segundo a organização, a maioria das riquezas acumuladas se deve a heranças, monopólios ou relações clientelistas com o governo.

“É um círculo vicioso do qual a gente precisa se livrar. A desigualdade gera desigualdade, quanto mais rico você é, mais dinheiro consegue gerar para você mesmo”, criticou o coordenador de campanhas da Oxfam Brasil.

O documento diz que mantendo o mesmo nível de desigualdade, a economia global precisaria ser 175 vezes maior para permitir que todos passassem a ganhar mais de US$ 5 por dia. “O que seria ambientalmente catastrófico”, afirma a entidade.

Kátia destaca que a entidade participa do Fórum Econômico Mundial, em Davos, com o objetivo de levar esse debate para a elite econômica mundial. Ela acredita que é possível reduzir a desigualdade por meio de ações de responsabilidade das grandes corporações. “Essa concentração extrema é também acelerada por diferentes setores da sociedade, então está nas nossas mãos fazer o enfrentamento disso e buscar construir um mundo um pouco mais igualitário, onde as pessoas sejam tratadas de forma mais justa”.

Coreia do Norte anuncia teste com bomba de hidrogênio

03/09/2017 14:220 comments
Coreia do Norte anuncia teste com bomba de hidrogênio

A Coreia do Norte testou hoje (3) sua bomba atômica mais potente até o momento, um artefato termonuclear ou bomba H, que, segundo o regime, pode ser instalado em um míssil intercontinental. Se confirmado, isso representa um importante e perigoso aumento de suas capacidades militares. As informações são da agência de notícias espanhola EFE.

O sexto experimento nuclear norte-coreano e segundo supostamente realizado com um artefato termonuclear culmina um período de frenética atividade armamentista por parte do regime de Kim Jong-un, após testar mais de uma dezena de mísseis balísticos desde o começo do ano, entre eles dois intercontinentais.

Essa intensificação coincidiu com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro passado – o de hoje é o primeiro teste atômico norte-coreano sob seu mandato –, e gerou uma das piores crises de segurança na região nos últimos anos.

O novo experimento atômico ocorreu hoje (3) por volta das 12h30 (horário local, 0h30 em Brasília), quando os institutos sismológicos de Seul, Tóquio e Pequim detectaram um forte terremoto de origem aparentemente artificial devido a sua pouca profundidade e com hipocentro na província onde a Coreia do Norte realizou seu teste nuclear anterior.

Algumas horas depois, a imprensa oficial norte-coreana anunciou que o país tinha testado com “total sucesso” um artefato termonuclear que pode ser instalado em um dos seus mísseis balísticos intercontinentais (ICBM).

“O teste foi realizado com uma bomba com poder sem precedentes”, disse a locutora da rede estatal KCTV Ri Chun-hee, a encarregada de dar as notícias mais importantes para o regime, acrescentando que o experimento teve “duas fases” e foi executado por ordem direta do líder Kim Jong-un.

A intensidade da detonação detectada neste domingo pelos países vizinhos e pela Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO, na sua sigla em inglês) indica que se tratou de um ensaio muito mais potente que os cinco anteriores executados pelo regime.

A explosão teve uma potência estimada próxima a 100 quilotons, o que representa o quíntuplo do teste atômico norte-coreano anterior, de setembro do ano passado, e cerca de 11 vezes superior à detectada em janeiro do mesmo ano, quando Pyongyang afirmou ter testado outra bomba de hidrogênio, segundo Seul.

Uma análise posterior apontou que o teste de janeiro de 2016 foi de um artefato de características inferiores a um termonuclear, e desta vez Seul e Tóquio assinalaram que ainda estão analisando os dados recolhidos para determinar se tratou-se de uma bomba H.

O teste, em qualquer caso, volta a demonstrar que a Coreia do Norte não tem intenção de abandonar seu programa nuclear apesar da pressão sem precedentes da comunidade internacional e dos recentes apelos ao diálogo de Washington e Seul.

Japão e Coreia do Sul condenaram firmemente o experimento, executado na mesma semana em que um míssil balístico norte-coreano sobrevoou o arquipélago japonês e caiu no Pacífico, e assinalaram que estão em contato com Washington para convocar uma nova reunião do Conselho de Segurança (CS) da ONU e tentar isolar ainda mais Pyongyang.

Pequim, o principal aliado do regime norte-coreano, também expressou sua “condenação enérgica” e sua “firme denúncia” do novo desenvolvimento armamentístico, enquanto Moscou o qualificou de “séria ameaça para o mundo”, insistindo em que todas as partes envolvidas no conflito na península coreana devem voltar ao diálogo.

O sexto teste nuclear norte-coreano ocorreu poucos dias antes de 9 de setembro, quando se comemora o aniversário da criação do país asiático e a mesma data na qual no ano passado aconteceu o seu quinto experimento atômico.

No começo deste domingo e antes de acontecer o teste, a imprensa estatal norte-coreana afirmou que o país tinha conseguido desenvolver com sucesso uma bomba de hidrogênio que foi carregada em um dos seus novos projéteis ICBM, e mostrou fotos de Kim Jong-un com o suposto artefato.

O teste, junto com os lançamentos de mísseis balísticos dos últimos meses, parece ter sido realizado para demonstrar com fatos que a Coreia do Norte é capaz de alcançar território americano com um míssil com carga nuclear, ainda que muitos especialistas duvidem que o país já domine esta tecnologia.

Estado Islâmico assume autoria do atentado em Manchester

23/05/2017 11:240 comments
Estado Islâmico assume autoria do atentado em Manchester

O grupo terrorista Estado Islâmico assumiu nesta terça-feira (23) a autoria do atentado em Manchester, no Reino Unido, e afirmou que um “soldado do califado” colocou “muitos pacotes-bomba” em várias concentrações de “cruzados” na cidade britânica. A informação é da Agência EFE.

Ataque em Manchester, na Inglaterra, deixa pelo menos 22 mortos – Foto Agência LusaNigel Roddis/Agência Lusa

Em comunicado, cuja autoria não pôde ser comprovada, divulgado pelo aplicativo Telegram, o Estado Islâmico afirmou ainda que detonou os pacotes colocados na Manchester Arena, onde morreram pelo menos 22 pessoas, entre elas várias crianças e adolescentes, e 59 ficaram feridas.

O ataque ocorreu por volta das 21h35 (horário local, 18h30 em Brasília) de ontem (22), ao final de um show da cantora americana Ariana Grand, na Manchester Arena.

O grupo jihadista afirmou que o ataque é uma “vingança da religião de Deus” e que tem por objetivo “aterrorizar os politeístas”, em referência aos cristãos. Também justificou como uma “resposta às suas agressões contra as casas dos muçulmanos”.

A nota estima em 30 o número de mortos e em 70 os feridos. O grupo ameaça que “o próximo será mais forte, mais intenso, contra os adoradores da cruz e os seus aliados”.