Em crise, Dilma e Putin priorizam economia e deixam política de lado em reunião

11/07/2015 02:590 comments

Durante quase cinco minutos, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, esperou a chegada da presidente Dilma Rousseff em uma sala cheia de jornalistas na cidade russa de Ufá. Leu anotações, brincou com sua comitiva e, depois, esperou calado.

Parecia que os dois estavam desafinados, mas, quando ela finalmente chegou, ambos adotaram discurso idêntico na reunião bilateral durante a cúpula dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul): com suas economias em crise, defenderam aumento do comércio e do investimento entre os dois países e deixaram de lado a política.

Líderes das duas únicas economias do grupo Brics que não devem crescer neste ano, Dilma e Putin precisam de saídas para este momento difícil. E esse foi o único tema dos momentos iniciais da conversa entre eles, presenciada por jornalistas.

“Temos grande interesse em ampliar nosso investimento recíproco”, disse Dilma, mencionando a possibilidade de atrair empresas russas de portos e ferrovias para o programa de investimentos em infraestrutura lançado no mês passado.

Além de dizer que os países precisam “fazer mais” na área de investimentos, Putin disse esperar uma retomada nas relações comerciais entre as duas nações após a queda registrada no primeiro trimestre.

“Nosso comércio está aquém do necessário”, concordou Dilma.

Os dois pareciam cansados – Dilma havia chegado de Portugal, e Putin estava pelo menos na quinta reunião bilateral do dia. Mas continuaram a reunião de forma privada por cerca de mais meia hora.

Durante a conversa, Dilma chegou a pressionar o tradutor, repetindo uma frase para que ele traduzisse.

Antes do encontro bilateral, eles se reuniram em um restaurante de Ufá com decoração colorida, laguinhos artificiais e cabanas na área externa.

Também participaram do encontro os outros líderes dos Brics. Houve apresentações de música e danças típicas da região onde fica a cidade, localizada a mais de 1 mil quilômetros de Moscou.

Via BBC

Fotografado estudando na rua, garoto filipino recebe enxurrada de doações

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Um garoto filipino sem-teto ganhou uma bolsa de estudos e doações de dinheiro e materiais escolares depois que uma foto sua foi postada no Facebook por uma estudante. Na imagem, Daniel Cabrera, de nove anos, aparecia fazendo deveres de casa na calçada de um estacionamento, aproveitando a luz de uma lanchonete McDonald’s próxima.

De acordo com a agência de notícias AFP, a mãe de Daniel, Maria Christina Espinosa, é viúva e vive com dois filhos no minimercado onde ela trabalha desde que a casa da família, em uma favela de Mandaue, na província filipina de Cebu, foi consumida pelo fogo.

Espinosa ganha cerca de 80 pesos filipinos (R$ 5,60) por dia trabalhando como atendente na loja e é empregada doméstica na casa dos donos do estabelecimento. Ela também vende cigarros e doces nas ruas para complementar a renda.

Todas as noites, segundo ela, Daniel usava a luz da lanchonete para fazer os deveres de casa. Ele cursa o terceiro ano do ensino fundamental.

No final de junho, um destes momentos foi registrado pela estudante Joyce Torrefranca, de 20 anos, que afirmou ter sido “inspirada” pela criança.

O post original foi compartilhado por mais de sete mil perfis do Facebook, que exaltavam, em diversas línguas, a importância dos esforços do garoto. Torrefranca disse à rede de TV local ABS-CBN que “como estudante, aquilo me tocou profundamente”.

As fotos também chamaram a atenção do portal de notícias filipino , que iniciou uma campanha para recolher doações ao garoto – e a outras crianças na mesma situação que ele – após encontrá-lo no mesmo local da foto dois dias depois.

Em entrevista ao site, em vídeo, Daniel disse ter um terço preso a seu único lápis, para que ele não seja roubado. Ele também mostrou o local onde dorme com a mãe e o irmão Gabriel, de sete anos, rodeados por bancos de madeira.

Símbolo

Desde então, a família tem recebido doações de dinheiro, material escolar, uniformes escolares e até uma luminária de LED para que o garoto possa estudar à noite, diz Espinosa. Ele também ganhou uma bolsa de estudos que garantirá sua educação até a faculdade.

“Estamos muito felizes. Nem sei o que fazer com todas essas bênçãos. Agora, Daniel não terá que sofrer para terminar seus estudos”, disse à AFP.

Espinosa afirmou ainda que o menino é, de fato, estudioso e determinado, e que insistia em ir para a escola mesmo quando não tinha dinheiro para almoçar.

De acordo com uma assistente social de Mandaue, Daniel tornou-se um símbolo de todos os garotos da cidade que não conseguem estudar porque não têm eletricidade.

No entanto, a fama também teve consequências desagradáveis. Ao site, a mãe do garoto contou que a família chegou a ser levada por uma rede de TV a um passeio pela cidade e impedida de voltar para casa quando queria, apenas para que uma concorrente não pudesse entrevistá-los.

Familiares distantes também começaram a ligar para pedir dinheiro após ver o garoto na TV, segundo Maria Christina Espinosa. “Não se trata de ganhar dinheiro com meu filho, mas de dar a ele o que precisa para alcançar seu sonho”, disse ao portal .

Daniel diz que gostaria de ser médico ou policial, porque “gosta de encontrar coisas perdidas e de localizar seus amigos quando eles se escondem”.

Comovida com a repercussão de seu post na vida da família, Joyce agradeceu no Facebook. “Eu não achei que uma simples foto pudesse fazer tanta diferença. Obrigada por compartilhar a foto. Com isso, conseguimos ajudar Daniel a alcançar seus sonhos.”

Apesar do rápido crescimento econômico nos últimos anos – o PIB do país cresceu 6,1% em 2014, segundo o Banco Mundial – um quarto da população das Filipinas continua abaixo da linha de pobreza.

Vaticano inicia julgamento inédito de caso de pedofilia

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A partir deste sábado, o ex-núncio apostólico do Vaticano na República Dominicana Jozef Wesolowski, 66 anos, enfrentará um processo judicial sem precedentes. Vai começar a audiência inicial de seu caso, o primeiro processo relacionado a acusações de pedofilia em um tribunal de Estado da Cidade do Vaticano.

O polonês foi acusado de abusar sexualmente de menores durante os cinco anos em que desempenhou o cargo no país caribenho, entre 24 de janeiro de 2008, quando foi nomeado pelo então papa Bento 16, e 2 de agosto de 2013, quando foi obrigado a deixar o cargo.

Ele também é acusado de posse de material pornográfico envolvendo menores. Este material foi descoberto durante sua estadia em Roma, entre agosto de 2013 e sua prisão, em 22 de setembro de 2014.

Esta não será a primeira vez que ele será processado por estes crimes. Wesolowski já foi julgado com base no direito canônico e foi condenado à pena máxima possível. A Congregação para a Doutrina da Fé e o encarregado de processar os casos de abusos sexuais contra menores de 18 anos cometidos por membros da Igreja Católica tiraram de Wesolowski seu status clerical.

Dessa forma, depois de ser expulso do sacerdócio, ele deve cumprir penitência, levando uma vida de oração. Além disso, não pode mais celebrar missas em público, nem administrar os sacramentos. Também não pode usar trajes clericais ou se apresentar publicamente como sacerdote.

No último mês de setembro, o diretor do gabinete de imprensa da Santa Sé, Federico Lombardi, informou que, “devido à gravidade das acusações (contra o ex-núncio)”, o Tribunal de Primeira Instância do Estado da Cidade do Vaticano impôs a ele “medidas restritivas”. Devido ao estado de saúde de Wesolowski, essas medidas significam prisão domiciliar. E agora, após a investigação penal, é que será iniciado o julgamento no Vaticano.

Sem precedentes
Para Jorge Otaduy, especialista em direito canônico da Universidade de Navarra, na Espanha, isso é um fato “sem precedentes”. “É extraordinário pois, normalmente, esses tipos de casos são julgados com base no direito canônico”, disse à BBC Mundo Otaduy.

Ana Maria Celis, diretora do Departamento de Direito Canônico da Pontifícia Universdade Católica do Chile, concorda com Otaduy.

O diferente é que Wesolowski será processado por um tribunal e de acordo com a jurisdição do Estado da Cidade do Vaticano, o mais próximo possível de uma corte convencional, levando em conta as particularidades do microestado.

Por ter sido núncio, diplomata do Vaticano, Wesolowski está sujeito à jurisdição do Estado soberano, assim como o resto dos funcionários ou cidadãos que tenham cometido crimes no enclave romano ou em outros países, segundo Ana Maria Celis.

“Os tribunais do Estado da Cidade do Vaticano são análogos aos de qualquer Estado. Têm todos os elementos para garantir a independência jurídica e seus membros são juristas de prestígio reconhecido, a maioria, laicos”, acrescentou.

E as penas não se limitam à excomunhão ou expulsão do sacerdócio. Os julgados pelos tribunais do Vaticano podem ser condenados à prisão.

Celis afirma que, para crimes relacionados à “lei número 8, artigo 10 – pedopornografia, a pena pode ser de reclusão (entre seis e 12 anos) e multas (entre 50 e 250 mil euros)”.

Para crimes como “posse de material pedopornográfico”, a pena pode ser de 2 anos de prisão e multa entre 1,5 mil e 100 mil euros.

Um exemplo do rigor do tribunal é o caso do mordono do papa, Paolo Grabiele, condenado a um ano e meio de prisão pelo tribunal do Vaticano por roubar a correspondência secreta de Bento 16.

Críticas
Mas nem todos aprovam este julgamento. A organização britânica National Secular Society, que faz campanha pela separação entre a Igreja e o Estado, insiste que é uma tentativa da Igreja de fugir da Justiça comum e seguir julgando os membros de cargos mais importantes “em casa”.

“O Vaticano não pode fazer um julgamento justo, pelo menos não como seria feito na República Dominicana”, afirmou Keith Porteous Wood, diretor-executivo da organização.

A Igreja Católica anunciou que, para garantir a imparcialidade do julgamento, vai analisar “com o maior cuidado” todas as provas apresentadas por testemunhos recolhidos pelas autoridades competentes em Santo Domingo e também outras análises.

No entanto, para Porteous Wood, a Igreja “não tem um sistema de justiça criminal estabelecido e experiente, a objetividade de qualquer julgamento está em dúvida quando o Estado é, em essência, a mesma igreja”.

Para Wood, é preciso extraditar Wesolowski. Ele também critica o Vaticano por não facilitar este processo.

As autoridades da República Dominicana, país onde teria acontecido uma parte dos crimes, solicitaram informações sobre como se deve proceder e não obtiveram a resposta.

“Cada Estado reclama os crimes cometidos contra seus cidadãos e, nesse sentido, se Jozef Wesolowski cometeu crimes contra cidadãos de outros países, me parece natural que reclamem seu direito a julgá-lo”, disse a especialista em direito canônico Ana Maria Celis.

Terra

FBI admite erro que deixou autor de massacre comprar arma

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Uma falha no sistema federal de revisão de antecedentes para adquirir armas de fogo permitiu que Dylann Roof cometesse o ataque contra uma igreja de Charleston, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, no qual nove fiéis negros morreram, informou nesta sexta-feira o diretor do FBI, James Comey. “O fato de que um erro nosso esteja relacionado com uma arma que esta pessoa usou para assassinar essas pessoas é muito doloroso”, assegurou Comey em um encontro com jornalistas. “Gostaria de voltar atrás no tempo”, acrescentou.

O funcionário explicou que quando Roof, de 21 anos, tentou adquirir uma escopeta em abril, o FBI realizou a revisão de seus antecedentes, mas não teve acesso a uma ocorrência na cidade de Columbia, a capital da Carolina do Sul, que relatava a prisão do jovem por consumo de drogas. Esse ponto teria impedido Roof de comprar armas.

De acordo com Comey, o erro do FBI aconteceu pelos trâmites burocráticos que dificultam o acesso por parte das autoridades federais aos documentos estaduais e locais. Por este motivo, a ficha criminal do jovem não estava disponível no Sistema Nacional Instantâneo de Revisão de Antecedentes Criminais.

Roof é considerado o responsável pela morte de nove fiéis negros durante o massacre no qual disparou indiscriminadamente contra as pessoas que estavam em uma igreja afro-americana de Charleston, aparentemente por motivos racistas.

Este incidente provocou um debate nos EUA sobre os símbolos da Confederação, já que o jovem venerava a bandeira confederada, além de outras referências de movimentos que pregam a supremacia branca, e tinha escrito um manifesto racista.

Como consequência, a bandeira confederada que tremulava em frente ao Legislativo estadual da Carolina do Sul foi retirada hoje após mais de meio século, depois que o Congresso estadual aprovou sua remoção.

Fonte: Terra

Mais de 150 mil migrantes cruzaram o Mediterrâneo desde o início de 2015

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Mais de 150.000 migrantes chegaram à Europa pelo Mediterrâneo desde o início do ano, afirmou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Mais de 1.900 pessoas morreram durante a perigosa travessia do Mediterrâneo, segundo a OIM, que pediu “uma resposta coletiva e consequente da Europa”.

 Quase 77.000 migrantes alcançaram as costas gregas desde janeiro – contra 34.442 em 2014 – e 75.000 chegaram à Itália.

“Na média, mil pessoas desembarcam a cada dia nas ilhas gregas, a maioria em fuga da guerra na Síria”, disse William Spindler, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“O número de chegadas é tão grande que, apesar de todos os esforços, as autoridades e as comunidades locais não conseguem mais enfrentá-las”, completou Spindler.

“A Grécia precisa de ajuda de forma urgente por parte da Europa”, destacou.

Macedônia e Sérvia, por onde costumam passar os migrantes que chegam à Grécia em sua viagem para o norte da Europa, também precisam de ajuda, segundo o porta-voz do ACNUR.

Na Itália, a Guarda Costeira anunciou nesta sexta-feira que resgatou 823 migrantes e recuperou 12 corpos na quinta-feira em oito operações de salvamento em alto-mar.

Alemanha e França anunciaram na quinta-feira que receberão quase um terço dos 60.000 migrantes a que a União Europeia prevê conceder asilo, com o objetivo de ajudar Itália e Grécia, os dois países que estão na linha de frente da onda migratória.

Fonte: G1

 

Líder grego admite ‘erros’ e cita avanços na proposta a credores

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O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, defendeu nesta sexta-feira (10), perante o Congresso da Grécia, avanços na proposta de acordo feita aos credores do país, mas admitindo que ela contém medidas “difíceis” e distantes do pacto eleitoral feito pela esquerda radical. Tsipras fez um discurso no Parlamento, onde deve ser votada nesta sexta a proposta enviada pelo governo grego na quinta-feira (9) ao Eurogrupo para receber ajuda financeira.

Em discurso no Parlamento, o chefe do executivo também reconheceu ter cometido “erros” durante os quase seis meses que está no poder, mas assegurou ter feito “tudo o que foi humanamente possível” para salvar a Grécia da ruína financeira.

O pacote de cortes de gastos do governo e aumento de impostos apresentado por Tsipras ao Eurogrupo foi visto como uma saída similar às medidas rejeitadas em um referendo no domingo (5).

Por isso, manifestantes se reuniram em frente ao parlamento para protestar contra a proposta. Do lado de dentro também houve protestos, com parlamentares exibindo cartazes com a palavra “oxi”, que quer dizer “não” em grego.

No discurso, Tsipras considerou que a Grécia está diante de “uma opção de grande resposabilidade”, que “leva ao dever nacional de manter o povo em vida”. Ele fez um apelo para que o congresso aprove o pacote de reformas submetido aos credores. “Pela primeira vez temos sobre a mesa uma discussão substancial para reestruturação da dívida”, afirmou o premiê.

Tsipras afirmou que a Grécia cumprirá o pagamento de € 6,8 bilhões em títulos que estão vencendo do Banco Central Europeu (BCE) em julho e agosto. O premiê afirmou ainda que o controle de capitais imposto aos bancos não forçará o governo a tomar novas medidas fiscais.

Gregos votam contra exigências de credores por empréstimo

30/05/2015 01:040 comments

Com dois terços dos votos apurados, o “não” parece ser o vencedor do plebiscito deste domingo na Grécia, com a população rejeitando a adoção de mais medidas de austeridade como forma de obter mais ajuda econômica de credores como a União Européia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). As urnas fecharam às 13h (de Brasília) e, segundo o Ministério do Interior grego, 61% dos votos foi para o “não” contra 39% votando pelo “sim”.

Antes mesmo do fim da apuração, dezenas de milhares de pessoas foram para a praça Syntagma, no centro de Atenas, para celebrar o resultado. Em um pronunciamento na noite deste domingo, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou que não foi um voto contra a Europa, mas uma permissão para ele negociar uma solução viável para a crise do país e acrescentou que povo grego fez uma “escolha muito corajosa”. Tsipras afirmou ainda que o governo está pronto para voltar imediatamente para as negociações com os credores.

O partido do governo, o Syriza, fez campanha pelo “não, afirmando que as exigências dos órgãos internacionais para liberar mais ajuda econômica para o país eram humilhantes. E o resultado deste domingo mostrou que a maioria dos gregos optou por desafiar a pressão da comunidade internacional. A campanha pelo “sim” afirmava que a rejeição dos gregos poderia significar que o país fosse expulso da zona do euro.

Algumas autoridades da União Europeia também disseram que a vitória do “não” poderia ser vista como uma rejeição completa da possibilidade de negociação com os credores. Mas, autoridades do governo grego insistem que o resultado vai fortalecer sua posição e eles poderão chegar rapidamente a um acordo para a liberação de mais dinheiro. E, o governo do país já afirmou que os bancos gregos devem reabrir nesta terça-feira.

O ministro da Economia grego, Yanis Varoufakis, afirmou que o resultado foi um “grande sim à uma Europa democrática”. Varoufakis disse que a Grécia será “positiva” nas negociações com os credores

‘Governo popular’

Euclid Tsakalotos, o ministro do Exterior da Grécia, disse em entrevista ao canal de televisão local Star TV que duas coisas vão permitir que o país tente uma “solução que seja mais viável financeiramente” a partir do resultado da votação deste domingo. “Primeiramente, o governo agora tem um novo mandato popular e a segunda é o último relatório (do FMI) que afirma que a dívida grega é insustentável”, afirmou.

Há meses a Grécia estava em meio a uma negociação muito difícil com os credores internacionais até que, inesperadamente, o governo convocou um plebiscito no qual o povo do país teria que decidir se aceitava ou não as condições oferecidas. Os bancos gregos foram fechados e os saques em caixas eletrônicos foram limitados a 60 euros por dia. O Banco Central Europeu se recusou a dar ao país mais empréstimos de emergência.
Segundo o correspondente da BBC em Atenas, Mark Lowen, a festa que tomou as ruas de Atenas com a vitória do “não” no plebiscito não deve durar muito tempo.

“Há uma fatia considerável da nação grega profundamente insatisfeita com o que aconteceu. E o governo terá que unir um país dividido. Mais do que isso, é preciso chegar a um acordo com a zona do euro, e rápido”, afirmou. “Os bancos gregos estão ficando (com os fundos) criticamente baixos e vão precisar de outra injeção de fundos de emergência do Banco Central Europeu.”

Mas, segundo Lowen, a volta à mesa de negociações não deve ser fácil, já que o ministro da Economia grego, Yanis Varoufakis, até chamou a estratégia da zona do euro de “terrorismo”. “E com a crise nos bancos e a receita tributária caindo em meio à instabilidade, a economia grega se enfraqueceu de novo, tornando um acordo ainda mais difícil.”

Para o correspondente da BBC a retórica dura da zona do euro vai continuar. Mas agora o governo da Grécia terá uma resposta pronta: “colocamos suas exigências frente a um teste democrático – e elas foram rejeitadas”.

 

Fonte: Terra