País fecha 115,6 mil vagas com carteira assinada; é o pior maio desde 1992

09/07/2015 9:48 pm0 comentários
País fecha 115,6 mil vagas com carteira assinada; é o pior maio desde 1992

O Brasil fechou 115.599 vagas de trabalho com carteira assinada em maio, mostraram dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta sexta-feira (19).

É o pior resultado para um mês de maio desde 1992. Desde aquele ano, o país não tinha registrado mais demissões do que contratações em maio.

O número do mês passado é resultado de 1.580.244 demissões e 1.464.645 admissões.

Em abril, tinham sido fechadas 97.827 vagas no país, também pior resultado para o mês desde 1992.

De janeiro a maio deste ano, foram fechados 243.948 empregos formais. Em 12 meses, o saldo negativo chega a 452.835 vagas.

O corte de vagas foi maior do que o esperado por analistas. A média estimada pelo jornal “Valor Econômico” era de perda de 50,6 mil vagas, enquanto pesquisa da agência de notícias Reuters apontava fechamento de 38 mil postos.

SP, RJ, MG e RS perdem mais empregos

Os Estados com maior saldo negativo de empregos foram São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Os únicos Estados em que houve saldo positivo foram Mato Grosso do Sul, Goiás, Acre e Piauí.

Indústria é a que mais demite; agropecuária contrata

Entre os setores, a indústria foi o que mais demitiu: saldo negativo de 60.989 vagas. Na sequência, apareceram serviços (-32.602), construção (-29.795) e comércio (-19.351).

O único resultado positivo foi registrado no setor agropecuário, com 28.362 vagas geradas.

O reflexo da crise econômica é sentido no emprego na indústria. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira (19) que o emprego industrial recuou 0,9% em abril, quarto mês seguido de queda.

(Com Reuters e Valor)

CNI indica retração maior do PIB em 2015

CNI indica retração maior do PIB em 2015

Relatório divulgado indica retração de 1,6% do PIB, menor que o 1,2% previsto inicialmente

Com a queda da atividade industrial e o aumento da inflação a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu as estimativas de desempenho do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no País) e da atividade industrial para 2015. A previsão, segundo o relatório trimestral Informe Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (9), é que o PIB fechará o ano com uma retração de 1,6% e que o PIB industrial recue 3,8%. No relatório divulgado em abril, a projeção para o ano era de retração de 1,2% no PIB e de 3,4% PIB industrial.

As previsões para 2015 indicam que a inflação ficará em 9,1%, estimativa acima do limite máximo da meta de 6,5% fixado pelo governo. “Esse dado está indicando claramente que este ano a meta não vai ser cumprida sequer no seu teto”, avalia o gerente-executivo de Políticas Econômicas da CNI, Flávio Castelo Branco. O relatório prevê que o consumo das famílias diminuirá 1,2% e taxa média de desemprego será de 6,7%. A estimativa é que os investimentos caiam 7,7%.

A queda de 3,8% do PIB da indústria em 2015 se deve às quedas de atividades como a da indústria de transformação (-6,4%) e da construção (-5,2%). De acordo com o relatório, a queda da indústria somada ao menor poder de consumo das famílias deve levar o setor de serviços a uma redução de 1% este ano.

A avaliação da CNI é que a recuperação da economia só deverá ocorrer em 2016. “Houve aprofundamento do quadro negativo, a deterioração da economia nos quatro primeiros meses foi mais intensa do que esperávamos no início do ano. A visão mais otimista de que essa recuperação possa começar na segunda metade do ano fica mais distante e deve ocorrer a partir de 2016”, disse Flávio Castelo Branco.

No Informe Conjuntural a CNI avalia que as janelas de saída podem ser as exportações e o investimento em infraestrutura. “Todavia, ambos têm impacto limitado no curto prazo e dependem de coordenação adequada de políticas para se materializarem”, registra o texto.

Desemprego sobe para 8,1% no trimestre fechado em maio, diz IBGE

Desemprego sobe para 8,1% no trimestre fechado em maio, diz IBGE

O desemprego registrado no trimestre que terminou em maio foi de 8,1%, o que representa uma alta em relação ao mesmo período do ano anterior (7%) e também em relação ao trimestre encerrado em fevereiro deste ano (7,4%).

O resultado é o mais alto desde o início da série histórica, em 2012. No trimestre encerrado em abril deste ano, o desemprego registrado tinha sido de 8%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Mensal.

A Pnad Contínua Mensal avalia os dados do mês em questão (no caso, maio), assim como as informações dos dois meses anteriores (março e abril).

Segundo o instituto, são pesquisados 211.344 domicílios particulares permanentes distribuídos em cerca de 3.500 municípios.

Número de desempregados sobe 10%

O número de pessoas desempregadas entre março e maio subiu para 8,2 milhões, o que representa uma alta de 10,2% em relação ao trimestre anterior, de dezembro a fevereiro (quando o número de desempregados era de 7,4 milhões).

Já o número de pessoas empregadas não apresentou variação significativa em relação ao trimestre terminado em fevereiro, permanecendo próximo de 92,1 milhões.

Rendimento mensal fica estável

O rendimento real médio (já descontada a inflação) ficou em R$ 1.863 no trimestre encerrado em maio. O número não apresenta variação significativa em relação ao trimestre anterior (R$ 1.877) nem em comparação com o mesmo período de 2014 (R$ 1.870).

Maio teve recorde de vagas cortadas

O Ministério do Trabalho divulgou no mês passado que 115.599 vagas de trabalhocom carteira assinada foram cortadas em maio.

É o pior resultado para o mês desde 1992. Desde aquele ano, o país não tinha registrado mais demissões do que contratações em maio. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)

Desemprego em maio foi de 6,7%, segundo PME

O IBGE também realiza a PME (Pesquisa Mensal de Emprego). A última, de maio, foi divulgada no mês passado e o desemprego registrado foi de 6,7%, o maior para o mês desde 2010.

A PME usa dados das regiões metropolitanas de Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre e é menos abrangente que a Pnad Contínua. O IBGE estuda deixar de fazer a PME no ano que vem. Por enquanto, ela continua, por ser mais antiga que a Pnad Contínua.

Gregos votam contra exigências de credores por empréstimo

30/05/2015 1:04 am0 comentários
Gregos votam contra exigências de credores por empréstimo

Com dois terços dos votos apurados, o “não” parece ser o vencedor do plebiscito deste domingo na Grécia, com a população rejeitando a adoção de mais medidas de austeridade como forma de obter mais ajuda econômica de credores como a União Européia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). As urnas fecharam às 13h (de Brasília) e, segundo o Ministério do Interior grego, 61% dos votos foi para o “não” contra 39% votando pelo “sim”.

Antes mesmo do fim da apuração, dezenas de milhares de pessoas foram para a praça Syntagma, no centro de Atenas, para celebrar o resultado. Em um pronunciamento na noite deste domingo, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou que não foi um voto contra a Europa, mas uma permissão para ele negociar uma solução viável para a crise do país e acrescentou que povo grego fez uma “escolha muito corajosa”. Tsipras afirmou ainda que o governo está pronto para voltar imediatamente para as negociações com os credores.

O partido do governo, o Syriza, fez campanha pelo “não, afirmando que as exigências dos órgãos internacionais para liberar mais ajuda econômica para o país eram humilhantes. E o resultado deste domingo mostrou que a maioria dos gregos optou por desafiar a pressão da comunidade internacional. A campanha pelo “sim” afirmava que a rejeição dos gregos poderia significar que o país fosse expulso da zona do euro.

Algumas autoridades da União Europeia também disseram que a vitória do “não” poderia ser vista como uma rejeição completa da possibilidade de negociação com os credores. Mas, autoridades do governo grego insistem que o resultado vai fortalecer sua posição e eles poderão chegar rapidamente a um acordo para a liberação de mais dinheiro. E, o governo do país já afirmou que os bancos gregos devem reabrir nesta terça-feira.

O ministro da Economia grego, Yanis Varoufakis, afirmou que o resultado foi um “grande sim à uma Europa democrática”. Varoufakis disse que a Grécia será “positiva” nas negociações com os credores

‘Governo popular’

Euclid Tsakalotos, o ministro do Exterior da Grécia, disse em entrevista ao canal de televisão local Star TV que duas coisas vão permitir que o país tente uma “solução que seja mais viável financeiramente” a partir do resultado da votação deste domingo. “Primeiramente, o governo agora tem um novo mandato popular e a segunda é o último relatório (do FMI) que afirma que a dívida grega é insustentável”, afirmou.

Há meses a Grécia estava em meio a uma negociação muito difícil com os credores internacionais até que, inesperadamente, o governo convocou um plebiscito no qual o povo do país teria que decidir se aceitava ou não as condições oferecidas. Os bancos gregos foram fechados e os saques em caixas eletrônicos foram limitados a 60 euros por dia. O Banco Central Europeu se recusou a dar ao país mais empréstimos de emergência.
Segundo o correspondente da BBC em Atenas, Mark Lowen, a festa que tomou as ruas de Atenas com a vitória do “não” no plebiscito não deve durar muito tempo.

“Há uma fatia considerável da nação grega profundamente insatisfeita com o que aconteceu. E o governo terá que unir um país dividido. Mais do que isso, é preciso chegar a um acordo com a zona do euro, e rápido”, afirmou. “Os bancos gregos estão ficando (com os fundos) criticamente baixos e vão precisar de outra injeção de fundos de emergência do Banco Central Europeu.”

Mas, segundo Lowen, a volta à mesa de negociações não deve ser fácil, já que o ministro da Economia grego, Yanis Varoufakis, até chamou a estratégia da zona do euro de “terrorismo”. “E com a crise nos bancos e a receita tributária caindo em meio à instabilidade, a economia grega se enfraqueceu de novo, tornando um acordo ainda mais difícil.”

Para o correspondente da BBC a retórica dura da zona do euro vai continuar. Mas agora o governo da Grécia terá uma resposta pronta: “colocamos suas exigências frente a um teste democrático – e elas foram rejeitadas”.

 

Fonte: Terra