terça-feira, outubro 26, 2021
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Flamengo estreia com goleada sobre o San Lorenzo na Libertadores

Qual é o poder de setenta mil pedaços de papel? Em movimentos sincronizados, acompanhando as canções da Maior Torcida do Mundo, nas cores vermelha e preta, o mosaico da Nação avisou: “Isso aqui é Flamengo!”. E foi muito Flamengo, para delírio de um Maracanã lotado de saudade. Difícil dizer quem sentiu mais: o estádio da torcida ou a torcida do estádio. O fato é que, depois de irretocáveis 90 minutos, o placar do Mário Filho bradava aos quatro cantos que o Mengão estreou com vitória na CONMEBOL Libertadores Bridgestone. E não foi de pouco não: imensos quatro a zero – fora o baile. Com o resultado, a equipe lidera o Grupo 4 da competição. E a Nação lidera o ranking de torcida mais feliz da noite.

O Flamengo mostrou que era o dono da casa. Se lançou ao ataque o tempo todo e não deu espaços para os argentinos. O maior volume ofensivo da equipe era pela esquerda e os passes em profundidade de Trauco treinavam uma assistência – acabaram em falta perigosa ou em bola açucarada para Guerrero. Na zaga sobrou raça: na dividida, ganhou quem tem Nação. Aos 13 minutos, a bola judiou dos corações rubro-negros e caprichosamente beijou o poste direito do San Lorenzo depois de Éverton arriscar, sozinho, na saída do goleiro. Aos 32, Mancuello, sentindo, foi substituído por Berrío. Com apenas um minuto em campo, o colombiano já deu um passe açucarado para Guerrero girar na grande área mas ter seu chute travado pelo marcador. Se no campo só dava Flamengo, na arquibancada “a galera se levanta e só dá Mengo”. Quando o cronômetro marcava os 44 minutos, o peruano teve mais uma grande chance depois de Éverton deixá-lo de cara com o goleiro, mas o chute saiu mascado. E lá viriam mais 45 minutos – e acréscimos – para o coração bater forte.

Três minutos da etapa complementar. O árbitro sopra o apito e marca nova falta na entrada da grande área para o Flamengo. Enquanto muitos torcedores – e os atletas – reivindicavam a marcação de um pênalti, os Deuses do Futebol já estavam em reunião com Sobrenatural de Almeida e São Judas Tadeu para assegurar que a bola encontraria a rede. É falta na entrada da área. Adivinha quem vai bater? É o camisa 10 da Gávea. Se em 1981 era o Galinho de Jorge Ben, esta quarta-feira foi Diego, mas o final (feliz) foi o mesmo. Gol do Flamengo. Sessenta mil explodem em alegria e produzem milhares de abraços em desconhecidos vizinhos de cadeira na arquibancada.

Treze minutos depois, Berrío e Diego tabelaram e o autor do primeiro gol rubro-negro desta vez foi garçom para Trauco ampliar – o placar, o grito na garganta e os batimentos cardíacos dos torcedores mais bem vestidos do local. O peruano encheu o pé e soltou a bomba no ângulo esquerdo do goleiro Torrico para fazer o segundo do Mengão – seu segundo com o Manto. A torcida teve oito minutos para comemorar até sair mais um. A jogada começou mais uma vez com Diego e Berrío – o primeiro cobrou o escanteio e o segundo desviou para a redonda chegar em Rômulo, que cabeceou e viu a bola entrar sofrida, no cantinho, rente à trave e goleiro. A torcida esperou paciente a protagonista passar inteiramente pela linha para soltar o terceiro grito de gol da noite. E que noite!

O Maraca era nosso e a festa (na favela) já tinha começado. A torcida, em êxtase, nem ligou para o pênalti perdido por Guerrero aos 40 minutos e exaltou o peruano em altos brados após a cobrança. Não tinha mesmo clima para lamento e nem daria tempo. O 4 a 0 veio dois minutos depois, em uma verdadeira pintura de Gabriel, que tinha acabado de entrar no lugar de Éverton. Ele que gosta de chapa no canto dessa vez acertou de chapa no ângulo e derrubou a coruja – que certamente não estava conseguindo dormir com o ensurdecedor e interminável barulho da Nação Rubro-Negra. O golaço deu números finais à estreia dos sonhos do nosso Flamengo.

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