quinta-feira, setembro 23, 2021
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GMH quer ajustes no contrato e matrículas de áreas para continuar projeto

Jaguariaíva – O presidente da CCIBRA (Câmara de Comércio e Indústria Brasileira), Ghassan Saab, e o sócio da GMH (General Mediterranean Holding) no Brasil e filho de Ghassan, Mahmoud Saab, abriram as portas do escritório da empresa em Jaguariaíva, com o propósito de falar sobre o controverso processo de instalação do Complexo Avícola anunciado há pouco mais de um ano.

Ghassan Saab presidente da CCIBRA falou ao Folha Paranaense

Ghassan, logo de início, explica que o que foi prometido na assinatura do protocolo de intenções não está sendo cumprido por parte do município. “Quando assinamos a carta de intenções, no ano passado, estava claro que o Município doaria as áreas para a GMH iniciar a instalação do frigorífico. Agora, segundo contrato, o município repassa as áreas mas quer a devolução do valor já na fase inicial do empreendimento. Ou seja querem que a empresa compre as áreas” explica Ghassan.

Outro ponto questionado pelo empresário árabe diz respeito aos prazos de instalação e finalização da obra, que devem ser cumpridos em até 1 ano, além de necessidade de aprovação, por parte da prefeitura, caso a GMH construa alguma filial, tipo um posto de abastecimento, ou qualquer outro tipo de operação. “Isto é impossível. Então você observa que são várias barreiras colocadas que dificultam todo o processo. Para quem lê o contrato parece que o Município quer ser sócio da empresa” diz Ghassan,

Ele explica que a GMH precisa destes ajustes no contrato e também das matrículas das áreas em seu nome para poder dar prosseguimento ao processo de instalação. “O Sir Nadhmi Auchi (presidente da GMH internacional) precisa de segurança para liberar as obras. Do jeito que está é muito difícil que as coisas aconteçam. Ele precisa dessas garantias” afirmou.

Saab afirma que não existem problemas com o prefeito José Sloboda. “Eu respeito muito o prefeito Juca. Gosto dele, amo ele. É um homem de verdade. Ele quer que esse projeto fique aqui e tem feito de tudo. O problema não é com ele e sim com algumas pessoas que acho que não querem esse investimento aqui” disse, sem querer revelar quem seriam essas pessoas.

Ghassan foi claro ao afirmar que o projeto da GMH em Jaguariaíva é realidade. “As portas do nosso escritório estão abertas à população para qualquer cidadão que deseja uma explicação. Aqui nós falamos a verdade”.

Itararé

Ghassan ressaltou que teve que expandir o projeto para a cidade de Itararé devido à falta de proprietários rurais interessados em construir granjas na região de Jaguariaíva. “Depois da Operação Carne Seca o Governo começou a colocar barreiras no transporte de animais entre estados. Então iniciamos conversas com Itararé e o prefeito já conseguiu 200 produtores rurais para construir as granjas” afirmou.

Ele ainda enalteceu o contraste de rapidez existente entre o processo em Itararé comparado com Jaguariaíva. “Aqui estamos há mais de um ano e lá em apenas 40 dias já conseguimos as liberações das áreas, cercamos o terreno e estamos aguardando as licenças ambientais. Aqui em Jaguariaíva, infelizmente, está indo muito devagar e isso não é bom” disse Ghassan, afirmando que neste final de semana  se reuniria com o Governador Geraldo Alckmin e outros políticos paulistas.

Ele não descarta a mudança total do projeto para a cidade paulista, caso as tratativas com Jaguariaíva não se desenvolvam a contento. “O que eu gostaria de dizer é que não sou filho de Jaguariaíva, não sou filho do Paraná, não sou filho de Itararé e nem de São Paulo. Eu sou filho do Brasil, então onde ficar este projeto, para mim não terá problema nenhum. O interesse tem que ser do Município” esclareceu.

GMH expandiu projeto para Itararé

Reunião

Na última quarta-feira, 08, Ghassan esteve juntamente com o empresário e engenheiro Civil Luiz Paulo Rover fornecendo esclarecimentos à população de Jaguariaíva sobre o frigorífico. Rover, que é o responsável técnico do projeto, afirmou que o complexo avícola segue em Jaguariaíva com uma expansão para Itararé.

Em entrevista ao Jornal da Manhã de Ponta Grossa, Rover explica que as cinco estruturas serão construídas nos Campos Gerais: o frigorífico, a fábrica de ração, incubatório, recria e matrizeiro. Já em Itararé serão construídos um frigorífico, incubatório e a fábrica de ração.

“Hoje pensamos em iniciar com 200 mil aves por dia em Jaguariaíva, para, em cinco anos, chegar em 500 mil. E começar também com 200 mil em Itararé, para chegar a 400 mil. O mundo está caminhando muito rápido e acreditamos em um mercado para vender um milhão de cabeças por dia” disse o engenheiro em entrevista ao Jornal da Manhã.

Como o frigorífico prevê um abate diário de 400 mil aves por dia, seriam necessários muitas granjas para fornecimento da matéria-prima. As lideranças do município paulista foram muito ágeis e em pouco tempo conseguiram aproximadamente 200 produtores rurais, número que não chegou nem perto em Jaguariaíva e região.

O engenheiro explicou que a intenção é construir os dois projetos, tanto em Jaguariaíva quanto em Itararé. O valor investido será de aproximadamente R$ 1 bilhão, sendo a maior parte do investimento em Jaguariaíva, que contará com a estrutura adicional do matrizeiro e da recria. A expectativa é de geração de 1.500 empregos diretos e mais de 30 mil indiretos.

Finalizando a entrevista ao Jornal da Manhã, Rover afirmou que a expectativa é iniciar a construção já em 2018, com o início da operação programado para 2020.

Ghassan com o filho Mahmoud que é o sócio da GMH no Brasil

Prefeitura

Segundo fontes internas da Prefeitura de Jaguariaíva, o Município tem feito todo o procedimento legal para a instalação do Complexo Avícola. Foram feitas as desapropriações de áreas no valor de R$ 4,5 milhões e a licitação do terreno que foi arrematada pela própria GMH. Caberia agora à empresa a apresentação de um projeto e as liberações das licenças ambientais.

O prefeito José Sloboda esteve com Ghassan algumas semanas atrás no IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e na Agência de Desenvolvimento. Na ocasião, o prefeito questionou o empresário em relação a necessidade do projeto e das licenças para a efetivação do processo de instalação do complexo. O deputado Pedro Lupion (DEM), que participou dos encontros, falou que estavam sendo tomadas todas as medidas para agilizar a liberação dos trâmites burocráticos.

Depois dessas reuniões em Curitiba, Ghassan disse que tudo começou a mudar. “Parece que agora, depois de um ano, as coisas começaram a entrar nos trilhos. Pelo menos por enquanto, mas precisa, por exemplo, que seja liberada a matrícula do matrizeiro, o que se não ocorrer, já é outra oposição. Precisamos dessas matrículas, que tiveram Leis aprovadas pela Câmara, mas até o momento o prefeito não publicou em diário oficial. Estamos no aguardo” afirmou.

Após a publicação, o primeiro passo, segundo o empresário, é entrar no terreno, fazer a topografia e geologia, para aí sim começar a construção. “Mas até agora não começamos a fazer nada. Precisamos dos contratos e das matrículas para efetivamente iniciarmos, após liberação das licenças ambientais” enfatizou Saab.

Matéria publicada na edição impressa da Folha Paranaense de 14/11/2017

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