Prefeito Juca anuncia cancelamento do projeto de Frigorífico em Jaguariaíva | Folha Paranaense
Prefeito Juca anuncia cancelamento do projeto de Frigorífico em Jaguariaíva
02/02/2018 às 09:33

Jaguariaíva – Depois de várias especulações e com a confirmação da doação de terras feitas pela Prefeitura de Itararé, no último dia 15 de janeiro, para a construção do Complexo Avícola no Estado de São Paulo, o prefeito de Jaguariaíva, José Sloboda (DEM), decidiu comunicar o cancelamento do projeto do Frigorífico Avícola no município. O anúncio foi confirmado na manhã desta sexta-feira, 02, em pronunciamento durante o programa “Bom Dia Prefeito”, transmitido pela Rádio Jaguariaíva.

Prefeito Juca ao lado do presidente da GMH, o iraquiano Nadhmi Auchi, à sua esquerda, e Ghassan Saab, à sua direita no momento de lançamento da pedra fundamental em 2016

O prefeito apontou que mudanças no projeto inicial com a divisão do projeto em duas frentes (Itararé e Jaguariaíva), as incoerências dos diretores da GMH (General Mediterranean Holding) na condução do processo e a exigências para que o Município doasse as terras para a construção do Complexo, foram consideradas determinantes para o rompimento com a empresa árabe e o término do apoio da Prefeitura.

“Quando surgiu a proposta para a instalação de um frigorífico, advinda do Governo do Estado, tomamos todas as medidas necessárias para viabilizar a concretização deste projeto em Jaguariaíva, porém após mais de 1 ano percebemos as incoerências dos diretores da GMH na condução deste processo. Nós fizemos a nossa parte com a desapropriação das terras. Temos a emissão das posses em nossas mãos, mas não tivemos coragem de colocar essas áreas nas mãos de pessoas que não tem o comprometimento com a instalação de uma empresa” falou Juca.

Concessão ou doação das terras?

Ele explicou que o impasse principal entre a empresa e a prefeitura ocorreu porque a GMH queria a doação das terras. “Nós fizemos a concessão de uso e eles não aceitavam desta forma porque queriam a posse das terras para alienar essas áreas para levantar dinheiro. Nunca tivemos pretensão de dar prejuízo ao Município, pois temos a responsabilidade de conduzir a administração com coerência” disse.

Juca afirmou que sua administração fez tudo o que era possível para concretização do projeto. “Fizemos todos os esforços, colocamos uma equipe para trabalhar na questão do licenciamento desse empreendimento. Fizemos todos os relatórios, todo o projeto ambiental. Então, não tivemos outra alternativa a não ser romper o protocolo de intenções e cancelar a licitação feita e também as duas leis aprovadas na Câmara para a transferência das áreas. Mas posso afirmar que nada foi gasto e não tivemos nenhum prejuízo por enquanto” revelou o prefeito.

Idoneidade da GMH

Ele criticou a postura da GMH e colocou em dúvida a idoneidade da empresa. “Eles queriam no início 100 alqueires de terra para a construção do complexo e depois aumentaram para 180. Agora foram em Itararé e receberam a doação de 26 alqueires. Aí fica a pergunta: Como que em uma cidade precisa de 180 alqueires e em outra de 26?”.

O prefeito também questionou a ausência de vários projetos como os de captação de água e energia. “Um complexo daquele precisava de 7 MW (Megawatt) de potência para funcionar, mas a GMH não tinha nenhum projeto junto à Copel sobre a disponibilidade de geração desta energia e muito menos se haveria a necessidade de um reforço de rede. Também não havia nenhum planejamento de captação de água  e de tratamento de esgoto, nenhum projeto executivo, nenhum projeto de captação de matéria-prima para a fabricação da ração. Eles simplesmente queriam as terras” falou.

“Não perdemos o Frigorífico”

Juca disse que Jaguariaíva não perdeu o Frigorífico. “Nós não perdemos, porque ele nunca existiu. Existia um projeto, mas nada foi feito. Eu tenho um compromisso de administrar com responsabilidade esse município, sem dar prejuízo e processos na Justiça, por isso afirmo que esse projeto da GMH não existe. O que existe é uma especulação sobre um projeto. Tudo isso não passa de uma conversa”.

Por fim, ele informou que estão ocorrendo visitas de empresas da região interessadas em algumas áreas desapropriadas pela prefeitura. “Temos empresas sérias, consolidadas, de municípios vizinhos, que nos procuraram e estão querendo instalar unidades agrícolas para recebimento e industrialização de grãos. Então algumas dessas áreas poderão ser cedidas a essas empresas de credibilidade e outras pensamos em devolver para não onerar o caixa do município” comunicou Juca.

 

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