segunda-feira, outubro 18, 2021
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Promotoria celebra TAC que preserva patrimônio dos quilombolas

Arapoti – A Promotoria de Justiça de Arapoti divulgou nesta quinta-feira, 15, que celebrou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o grupo empresarial “Morro Chato”, atual proprietário da Fazenda Boa Vista. O objetivo é garantir a preservação do patrimônio histórico e cultural dos remanescentes dos quilombolas.

Promotor José de Oliveira com representantes da empresa proprietária da Fazenda Boa Vista. Foto: Divulgação

O conjunto arquitetônico da Fazenda Boa Vista é composta pela “Casa Grande”, “A Capela” e o “Cemitério”. De acordo com a comunidade quilombola da região, no cemitério estão enterrados seus antepassados escravos que trabalhavam na região. A capela também até os dias atuais é frequentada pelos remanescentes de quilombos.

Segundo a Promotoria, no ano de 2015 foi instaurado o Inquérito Civil nº MPPR-0009.15.000081-9 para apurar a não conservação do remanescente da Fazenda Boa Vista, situado na Zona Rural do Município de Arapoti. “O complexo da Fazenda Boa Vista possui relevante valor histórico, artístico e cultural para o Município de Arapoti e para o Estado do Paraná” revela a promotoria.

No TAC ficou estabelecido que o grupo Morro Chato contrataria profissionais arquitetos, arqueólogos, engenheiros e historiadores para fazer um levantamento da área e indicar as medidas que melhor preservariam o patrimônio histórico, artístico e cultural. Os trabalhos estão sendo realizados dentro dos prazos estabelecidos no TAC e os investimentos que serão realizados pela empresa Morro Chato nas restaurações e reconstruções pode chegar ao valor de R$ 2 milhões.

Promotor José de Oliveira com quilombolas. Foto: Divulgação

De acordo com o Promotor de Justiça, José de Oliveira Júnior, o complexo arquitetônico permanecerá sob os cuidados da empresa proprietária. “Porém, terá o livre acesso para a  comunidade quilombola e população em geral, sendo que já ficou acertado com o Município de Arapoti que o local receberá visitações de alunos das escolas públicas municipais” disse o promotor.

Histórico da Fazenda

De acordo com relatório técnico elaborado pela equipe de Ministério Público, a fazenda Caxambu e a Boa Vista eram de propriedade de Francisco Xavier da Silva, português de nascimento, um dos mais influentes fazendeiros da época (IBGE, id., s/d). O destaque de sua posição pode ser medida pelo fato que nela ficou hospedado o famoso naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire que, sob proteção de Dom João, percorreu e hospedou-se em fazendas do Paraná por alguns meses em 1820. Este personagem mencionou em suas memórias vários elogios ao fazendeiro anfitrião (GUTIÉRREZ, 2006, p. 120-124).

O filho deste tropeiro, nascido em uma fazenda paterna na região da atual Arapoti, carregou o mesmo nome do pai e aumentou o poder político da família, alcançado, entre o final do Período Imperial e o Republicano, as funções de vice-governador, governador e senador (cargo este que ocupou por diversas legislaturas). O poderio da família expressou-se também pelo fato de que o dono da fazenda Boa Vista estava entre os dez maiores proprietários do Caminho das Tropas do Paraná (GUTIÉRREZ, 2006, p. 113), sendo que em seu terreno estavam povoados, entre os quais aquele que originou a atual cidade de Arapoti”.

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