quarta-feira, junho 23, 2021
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Arapoti 63 anos: Apesar das dificuldades, os campos continuam floridos

Arapoti – Nesta terça-feira, 18, o município de Arapoti celebra 63 anos de emancipação político-administrativa. Segundo o Dicionário de Palavras Brasileiras de Origem Índigena, de Clovis Chiaradia, o termo Arapoti é de origem Tupi-guarani, sendo “Ara” traduzido como tempo e “poti” (ra) como flor, flor de firmamento. Juntando-se os termos, temos algo como tempo de flores, que simboliza a primavera e que foi popularmente traduzida pela tradição local, como Campos Floridos.

Arapoti 63 anos. Foto: Elliezer J. Silva

Apesar das dificuldades que os municípios brasileiros têm enfrentado nos últimos anos, Arapoti, mesmo não fugindo dessa realidade, continua com seus belos campos floridos e chega a este aniversário esbanjando a vitalidade de suas belezas naturais. Se por um lado, a gestão administrativa não satisfaz em 100% a sua população, por outro, este cidadão arapotiense pode, apesar das mazelas sociais, se sentir abençoado em morar em uma cidade pacata, agradável e aconchegante.

Se por um lado, reflete o nível mais elevado da desigualdade social brasileira, (com uns poucos, muito ricos e outros muitos, muito pobres) por outro reflete a garra do trabalhador que acorda cedo e dá o seu suor para colocar o pão na mesa e garantir o sustento digno de sua família. Não diferente de muitos municípios brasileiros que vivem esses mesmos contrastes, Arapoti assim caminha. Porém com os campos ainda floridos, trazendo esperança para o seu povo de que dias melhores virão.

História

A história de Arapoti tem origem na Fazenda Jaguariaíva, que pertenceu ao lendário povoador desta região, coronel Luciano Carneiro Lobo. Os campos eram ocupados por gado de corte e serviam como pouso para tropas vindas do sul do país. Na época, o município era o Distrito do Cerrado, onde hoje é uma vila rural de Arapoti. O local começou a se desenvolver de fato na década de 1910, com a instalação de uma serraria e da fábrica de papel Southern Brazil Lumber & Colonization Companye. Anos mais tarde, a fábrica de papel se transformaria na imponente Inpacel, empresa que muito contribui com a economia paranaense.

Inauguração da Estação Cachoeirinha na década de 1910

Em 1912, instalou-se no município o Ramal Ferroviário do Paranapanema, que atravessou a fazenda Capão Bonito e oportunizou a instalação de moradores em torno da estação ferroviária Cachoeirinha, hoje sede do Memorial Capão Bonito (Casa da Cultura). Muitos moradores do Distrito do Cerrado e de outras regiões também fixaram moradia próxima à estação Cachoeirinha, atraídos principalmente pelo comércio. Vivendo os ciclos econômicos do café e da madeira, produzidos em grande escala na região do Norte Pioneiro do Paraná, começam a chegar, em 1916, vários imigrantes – inicialmente espanhóis e poloneses.

O primeiro armazém do distrito foi o de Telêmaco Carneiro, em 1925. Em 1927, foi construída a primeira igreja. Em 18 de dezembro de 1933, Cerrado passou a ser chamada Cachoeirinha. Em 07 de março de 1934, Cachoeirinha passa a ser Distrito pertencente a Jaguariaíva.

Através do Decreto-Lei Estadual n.º 199, de 30 de dezembro de 1943, Cachoeirinha passa a ser chamada Arapoti. O município de Arapoti foi criado através da Lei Estadual n.º 253, de 26 de novembro de 1954, com território desmembrado de Jaguariaíva, e instalado em 18 de dezembro de 1955.

Em 1960, Arapoti começa a receber imigrantes holandeses. Chegando ao município em grande escala, fundam a Cooperativa Agroindustrial (Capal), atualmente integrante do grupo ABC do complexo Batavo.

Histórico da Linha Ferroviária

A linha do Paranapanema, construída para evitar o “perigo paulista”, ou seja, a exportação de mercadorias do Norte Velho do Paraná via E. F. Sorocabana pelo porto de Santos, teve o primeiro trecho inaugurado em 1915, ligando Jaguariaíva, na Itararé-Uruguai, a São José, atual Calógeras. Seu prolongamento acabou se arrastando até 1937, quando alcançou a já existente E. F. São Paulo-Paraná e por ela alcançou por tráfego mútuo a cidade de Ourinhos, em São Paulo. Depois da abertura da linha Apucaranas-Uvaranas, em 1975, o ramal entrou em decadência por ter uma linha obsoleta e cheia de curvas. O último trem de passageiros (Trem do Norte, mais tarde “Trem da Miséria”, rodou em junho de 1979. Em 2001, o tráfego de cargueiros foi suspenso pela ALL e hoje apenas esporádicos autos de linha passam pela linha, praticamente abandonada em toda a sua extensão.

A Estação

A estação de Arapoti, de madeira, inaugurada em 1915 com o nome de Cachoeirinha, estava totalmente abandonada em 1999; no final de 2000 já havia sido restaurada. Nos anos 1950 (veja mapa no alto à esquerda) saía daqui um ramal para a fábrica de papel e celulose de Arapoti. Hoje a estação abriga a Casa da Cultura do município do mesmo nome; existem em frente a ela três vagões da RFFSA abandonados. Em 2002, havia também pedaços de ferro, de trilhos retirados, todos empilhados. Mais afastado da cidade, um pé de milho crescia no meio da ferrovia. A praça em frente à estação estava repleta de objetos da ferrovia, como ferramentas e tróleys de manutenção, entre outros. Em outubro de 2006, a situação era diferente: a linha, apesar de não estar sendo usada, estava em estado bastante razoável e limpa, pelo menos entre Jaguariaíva e Arapoti. A ex-estação continuava bem cuidada em 2006.

(Fonte: Ralph Mennucci Giesbrecht, pesquisa local; Douglas Razzaboni; Rodrigo Cunha; ABPF-Paraná; A Gazeta do Povo, Curitiba, 17/02/02; RVPSC: Horário dos Trens de Passageiros e Cargas, 1936; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1960)

 

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