segunda-feira, junho 21, 2021
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Colégio Estadual Rodrigues Alves: 70 anos de história em prol da educação

Jaguariaíva – O Colégio Estadual Rodrigues Alves (CERA) celebra 70 anos nesta terça-feira, 02 de abril. A sua história se mistura com boa parte da história da educação no município de Jaguariaíva. Para iniciar, temos que voltar ao final do século XIX quando teve início a instrução pública na cidade, quando da criação de cadeiras masculinas e femininas para regência do ensino primário em uma casa alugada para tal finalidade.

Mais tarde, com a Proclamação da República, em 1889 e alterações significativas na legislação, a localidade foi presentada com a construção de um Grupo Escolar próprio, na ocasião, o primeiro edifício público da então cidade recém-elevada a esta categoria, por força de lei estadual. Foi inaugurado, oficialmente, em 1911, na Cidade Alta, o Grupo Escolar Izabel Branco com quatro salas de aulas destinadas integralmente ao ensino primário da localidade.

Pouco mais de três décadas depois, em 18 de junho de 1947, no início da administração estadual do governador jaguariaivense Moysés Lupion, foi elaborado o projeto arquitetônico para construção de um novo grupo escolar na cidade. O projeto tinha semelhanças com o Grupo Escolar Lysímaco Ferreira da Costa (hoje Colégio Estadual) de Curitiba e do Ginásio Estadual de Londrina (hoje Colégio Estadual Marcelino Champagnat).

A obra, inicialmente concebida para abrigar somente um Grupo Escolar, acabou abrigando simultaneamente o Ginásio Estadual de Jaguariaíva, criado pelo Decreto Estadual n° 6.165, de 11/03/1949 e o Curso Normal Regional, criado pelo Decreto Estadual n° 9.145, de 03/12/1949. A inauguração oficial do novo prédio ocorreu no sábado, dia 2 de abril de 1949, através de uma concorrida solenidade,  com a ilustre presença do Governador do Estado, além do Secretário de Estado da Educação e Cultura Professor Erasmo Pilotto, do Prefeito Eduardo Xavier da Silva (Dudu), vereadores e comunidade em geral.

A nova e moderna obra com 2.100,00 m² de área construída correspondia plenamente à demanda escolanovista, pois além das doze salas de aula, possuía auditório-ginásio, gabinetes médicos e odontológicos, cantina, almoxarifado, ambientes administrativos, instalações sanitárias, museu e biblioteca. Já a setorização, definia-se com o administrativo à frente, o auditório à esquerda e duas áreas de salas de aula, visto que boa parcela destas salas destinava-se ao ensino prático de desenho, química, história natural etc. com laboratórios muito bem equipados.

No térreo funcionava o grupo escolar que recebera o nome de Moysés Lupion, como homenagem ao filho ilustre da localidade e, no piso superior, o Ginásio Estadual e as duas Escolas Normais, uma de caráter regional e a outra colegial.

Adiante, em 1961, com a implantação do ensino de segundo grau, o Ginásio foi elevado à categoria de Colégio Estadual, na ocasião recebendo a nomenclatura de Colégio Estadual Rodrigues Alves e, por consequência, a sigla CERA, em homenagem ao ex-presidente do Brasil, o advogado paulista Francisco de Paula Rodrigues Alves.

O nome do patrono foi uma escolha da então diretora Rosa Simão Fernandez, que fora consultada para tal. No ano seguinte, foi criado, por iniciativa do Professor Antonio Lopez Fernandez o brasão do colégio com as cores: preto, branco, verde e vermelho, todas alusivas ao brasão de armas do Estado do Paraná.

Posteriormente, através do Decreto Estadual n° 15.642 de 7 de agosto de 1964, assinado pelo então Governador Ney Braga, o então Grupo Escolar Moysés Lupion passou a denominar-se Grupo Escolar Tertuliano Teixeira de Freitas permanecendo em atividade até o ano de 1978.

Significativos nomes do magistério local e regional atuaram no Grupo Escolar Moysés Lupion, dentre os quais elencamos o expressivo nome da professora primária Maria Josefa Lucilla Romana Ribas, popularmente conhecida como Maria Nicoletti,  por mais de duas décadas diretora da instituição. Quando da mudança da nomenclatura, o destaque fica por conta da gestão da diretora Enicir Maria Faria Biscaia.

 

Das duas Escolas Normais em atividade, a Regional Erasmo Pilotto e a Secundária, Colegial Estadual Paula Gomes, destacamos os nomes das professoras Maria José Carneiro Motta (Mimi) e Wilma Simon Faria ,que estiveram nas respectivas direções, além das secretárias Rosa Maria Collete da Rocha Leite e Terezinha Tisque.          Centenas de mulheres e homens de Jaguariaíva e região cursaram estas escolas normais, sendo que após a formatura, graduaram-se em alguma licenciatura específica e, após prestarem concurso público para tal, acabaram por lecionar no mesmo colégio onde estudaram.

Em 1998, pela Resolução n° 3.429/98, o CERA passou a denominar-se Colégio Estadual Rodrigues Alves – Ensino Fundamental e Médio. Em abril de 1999, ao comemorar os 50 anos de sua fundação, foram inauguradas, na presença de diversas autoridades, direção, corpo docente e discente, além de pessoas da comunidade local, um anexo ao prédio principal, composto das instalações da nova biblioteca e do laboratório de informática, além do novo portal de entrada. Esta obra foi possível graças aos recursos da Fundação Educacional do Estado do Paraná (FUNDEPAR) e do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação no Ensino Médio do Paraná (PROEM).

Ao longo de sua trajetória de setenta anos, o Colégio Estadual Rodrigues Alves sempre contou em sua estrutura com cursos conceituados de educação profissional e técnica, cada qual com sua nomenclatura conforme as legislações vigentes, sendo estes: Magistério, Contabilidade, Básico em Saúde, Técnico em Gestão Empreendedora, Formação de Docentes, Técnico em Administração, Técnico de Informática, além do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC).

Do Ginásio Estadual, até os dias atuais, agora como Colégio Estadual, estiveram na direção do CERA, os seguintes professores: Dr. Luiz Rosenthal Pereira, Ângelo Mazzarotto, Rosa Simão Fernandez, Renato Ferreira de Mello, Jonas Rodrigues Teixeira, Maria Koas da Luz, Mário Fonseca Filho (Marinho), Augustinho Argemiro Ludwig, Nádia Winnik, João Antônio Santos Lima, Edith Moinhos Legat, Mário Canizella, Florinda Shizue Sato Sabião, Amarildo da Silva Mello, Celso Pereira Rolim, Vinícius Vitorino Guimarães e, atualmente, Gilson Barbosa Pereira.

Com um potencial educacional, cultural e esportivo de primeira grandeza, o cotidiano do CERA, ao longo dos seus setenta anos, foi também o cotidiano de toda Jaguariaíva e região pois, por inúmeras vezes, sua sede abrigou os mais variados eventos, como peças teatrais, musicais, shows, bailes e formaturas, além de sua tradicional festa junina. No quesito cultural, ainda destacou-se por décadas a então Fanfarra Estudantil Rodrigues Alves, a FERA, criada e regida por décadas pelo exímio professor de educação física, Antonio Lopez Fernandez, que fez com que fosse reconhecida em nível nacional, dado aos diversos concursos no qual participou. Da mesma forma, o esporte do colégio também foi destaque nas mais variadas modalidades tais como futsal, voleibol, basquete, handebol, queimada e até mesmo natação. Também o grupo de Ginástica Rítmica Desportiva (GRD) criado e comandado pela professora de educação física Rosa Maria Collete da Rocha Leite conquistou inúmeras premiações. Os corais compostos pelas alunas das escolas normais e devidamente regidos pela maestrina Professora Elzita Jorge Cunha igualmente ganharam notoriedade.

Desta forma, revisitar um pouco a história do Colégio Estadual Rodrigues Alves é evocar antes de tudo homens e mulheres que trabalharam de forma incondicional pelo desenvolvimento desta egrégia instituição. Para tanto, na qualidade de ex-aluno deste CERA de tantas glórias, congratulo-me com todos aqueles e aquelas que de alguma forma fizeram, fazem e farão do espaço deste notável colégio sempre um lugar voltado para o progresso educacional de cada aluno e aluna ali existente. Parabéns, CERA!

Por Rafael Gustavo Pomim Lopes*

* O autor é Historiador e membro da Academia de Letras dos Campos Gerais

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