quinta-feira, janeiro 21, 2021
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A história dos 60 anos do Carolina Lupion

A assistência hospitalar propriamente dita à população jaguariaivense, remonta ao ano de 1942, mais precisamente ao dia 28 de fevereiro, quando foi o inaugurado o Hospital da Associação Beneficente “26 de Outubro”, destinado a princípio a classe ferroviária, porém mais tarde atendendo todos os munícipes.

O hospital em questão era em sua maioria construído em madeira, sendo “modesto e simples em todas as suas instalações”, conforme noticiou a imprensa da época. Porém, estava “aparelhado para atender as necessidades da região, com duas enfermarias (dez camas em cada uma) para doentes do sexo masculino e outras tantas para enfermas mulheres. Três quartos para particulares; uma sala para curativos e pequenas intervenções cirúrgicas; dois consultórios médicos e uma farmácia completa para o aviamento de todo receituário.

Neste hospital atuou com precisão clínica o médico José Manoel Ribeiro dos Santos, natural do município de Sete Lagoas, Estado de Minas Gerais e radicado em Jaguariaíva desde a década de 1920. Posteriormente, no final de década de 1940, mais precisamente em 12 de março de 1947, quando assumiu o governo do estado do Paraná, o jaguariaivense Moysés Wille Lupion de Troya começou a colocar em prática o seu plano de governo, balizado principalmente na infraestrutura do estado, visando dotá-lo de condições materiais nas mais variadas áreas, dentre estas, a da saúde, quando por solicitação pessoal, intensificada pelo amigo, o então médico José Manoel Ribeiro dos Santos, agora nomeado como secretário de estado da saúde pública, resolveu autorizar a construção de um Hospital Regional na sede do município de Jaguariaíva, hospital este orçado na ocasião em mais de um milhão de cruzeiros.

Construção

O novo empreendimento visava atender as demandas da área de saúde clínica do referido município e região, calculando-se o atendimento de mais de oitenta mil habitantes. Desta forma, o projeto saiu do papel devidamente assinado pelo engenheiro civil e arquiteto Ayrton João Cornelsen, conhecido por todos como Lolô, que conduziu a obra de 3.500 metros quadrados de área construída toda em alvenaria de tijolos com quatro corpos em dois pavimentos e um central com três pavimentos, com capacidade real para 110 leitos, além de dependências administrativas, ambulatório, centro cirúrgico, farmácia, necrotério, cozinha e refeitório.

Após o seu término, a obra foi devidamente denominada como “Carolina Lupion”, em memória da senhora Carolina Döepfer Wille Lupion, progenitora do então governador do estado, falecida em 15 de fevereiro de 1952.

Inauguração

A inauguração oficial do prédio ocorreu às dez horas do sábado do dia 12 de setembro de 1959, através de uma concorrida solenidade que contou na ocasião com a ilustre presença do governador, além do corregedor geral do estado, desembargador Antônio Franco Ferreira da Costa, do secretário estadual de saúde pública, Dr. Santos, do subchefe da Casa Militar,coronel Manoel Cursino Dias Paredes, do prefeito de Jaguariaíva, Aristides Fernandes Soares (Tidoca), dos médicos Michael Wahrhaftige Walmyr Maingué, além de vereadores, autoridades  eclesiásticas e população em geral.

Discursaram enaltecendo a grandiosidade da obra em questão, o governador Lupion, Dr. Santos e os médicos Maingué e Michael, já o desembargador Franco Ferreira da Costa e o prefeito Tidoca descerram as placas comemorativas. A fita simbólica de inauguração foi cortada pela senhora Yedda Vellozo Maingué, esposa do Dr. Walmyr. Após a bênção do novo prédio pelo Padre José de Castro, a comitiva de autoridades percorreu todas as instalações do novo hospital.

1º Corpo de Enfermagem

No ano seguinte de sua inauguração, a instituição recebeu seu primeiro corpo de enfermagem profissional, chefiada na ocasião pela senhora Maria Alzira Christensan, natural do município da Lapa, que veio para Jaguariaíva com a missão de ministrar um curso de técnica em enfermagem, ampliando desta forma o quadro de funcionários da instituição. No mesmo ano,  em 1960, foi internado o primeiro paciente o senhor José Picos. Já o primeiro parto realizado no novo e moderno hospital foi o da senhora Eulália de Melo, realizado em 19 de novembro de 1961, cujo nascimento foi de uma menina, que recebeu o nome de Carolina, em referência ao nome da patrona do hospital.

 

Neste mesmo período, atuaram no hospital os médicos: Otaviano Pacheco e Rubens Jazar juntamente com Walter Goetz então diretor e Michael Wahrhaftig. Posteriormente com a transferência do Dr. Walter para o município de Ponta Grossa, o médico Domingos Cunha assumiu interinamente a direção por exatos seis meses, sendo posteriormente substituído pelo Dr. Djalma Calil Fadel que permaneceu na direção por mais de duas décadas. Assumiram adiante o corpo clínico, os médicos: Américo Faustino de Carvalho, Carlito Bezerra de Menezes, Marcos Hyczy da Costa e os irmãos Vitório, Antonio e Paulo Nanni, entre outros.

Fundação Hospitalar

Na década de 1970, o hospital passou de Divisão de Organização Hospitalar para Fundação Hospitalar e desta passou em comodato para FAEP (Federação de Agricultura do Estado do Paraná) e depois para o Instituto de Saúde do Estado do Paraná. Neste mesmo período, o hospital tornou-se referência no atendimento à tuberculose, possuindo inclusive uma ala de isolamento, instalada através da Divisão Nacional de Tuberculose, mais tarde denominada como Divisão Nacional de Pneumologia Sanitária (DNPS). Neste contexto destacou-se o eficiente trabalho do médico pneumologista João Calil Fadel.

Adiante, mais precisamente no ano de 1976, através de recursos do Ministério da Previdência e Assistência Social, o hospital recebeu um novo aparelho de raios X, modelo 500-MA, custeado no valor de 256 mil cruzeiros.

Hospital Municipal

Em 4 de setembro de 1992, o então governador Roberto Requião de Mello e Silva, através da Lei Estadual nº 10.079, transfere ao município de Jaguariaíva o Hospital Carolina Lupion, pertencente ao Instituto de Saúde do Paraná, com seus bens imóveis, móveis e semoventes,  permanecendo este integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Já em 1º de outubro do mesmo ano, o município celebrou um convênio entre o Conselho Comunitário Dr. Santos e a Prefeitura Municipal visando administrar o hospital em questão, convênio este reafirmado por força da Lei Municipal nº 1.516 de 29 de abril de 2002 que objetivou uma ação conjunta, no atendimento das necessidades da população local abrangida pelos programas, projetos e atividades relacionados à área de saúde.

Piolhos

Adiante, em maio de 2006, uma infestação de piolhos interditou boa parte do hospital, sendo os atendimentos devidamente cancelados e a maioria dos pacientes internados receberam alta médica e retornaram para suas casas. Permaneceram no hospital cerca de quinze pessoas que não puderam ser liberadas. Elas foram isoladas em uma ala do prédio.

Já em outubrode 2008, após denúncias de cunho trabalhista contra o Conselho Comunitário Dr. Santos, ora gestor da instituição, o Poder Judiciário optou por colocar o nosocômio sob intervenção, na ocasião aos cuidados do senhor Paulo Puquevis, membro do Conselho Municipal de  Saúde que teve como missão determinar a transferência imediata da administração novamente ao Poder Público e priorizar a extinção do referido Conselho Comunitário, o que foi colocado em prática através da Lei Municipal nº 1.856 de 10 de março de 2009 que revogou o convênio firmado entre as partes ora citadas, passando o Hospital Carolina Lupion, a ser administrado exclusivamente pelo Poder Executivo Municipal, através da Secretaria Municipal de Saúde.

Revitalização

Posteriormente no ano de 2013, o prédio passou por uma completa revitalização externa, sendo que entre os serviços realizados estava o pastilhamento de paredes, realizado em parceria com a empresa BrasPine Madeiras, que doou o referido material. Na ocasião desta obra, foram mais de 5,5 m² de pastilhas aplicadas no revestimento, além de outros materiais como argamassa e rejunte. Também outros serviços importantes executados nesta mesma ocasião foram à substituição de calhas, pintura de esquadrias, reboco e aplicação de texturas.

A mão-de-obra para a revitalização foi contratada e totalmente custeada pela Prefeitura de Jaguariaíva. Ainda em 5 de junho de 2013 passou o nosocômio a prestar atendimento exclusivamente via SUS. Já entre os anos de 2016 e 2017, através de emendas parlamentares conquistadas junto ao Ministério da Saúde, novas obras de infraestrutura marcaram novamente a história do hospital. Tratava-se na ocasião da substituição total do telhado e forro do prédio, com posterior colocação de laje pré-moldada em toda a sua superfície, o projeto em questão incluiu as alas direita e esquerda, que receberam telhas de fibra de cimento e estrutura metálica, calhas e rufos, também foram realizadas readequações internas, tais como: renovação total das instalações elétricas e hidráulicas, troca de revestimentos nos banheiros, instalação de rampas de acessibilidade para os pacientes, bem como ampliação de largura de portas, favorecendo a passagem de cadeiras de roda e macas.

O HCL hoje

Hoje, com 60 anos de existência, o Hospital Carolina Lupion continua com a sua notável missão de prestar uma assistência médico-hospitalar nas áreas para as quais esteja devidamente capacitado e habilitado, utilizando-se de profissionais das melhores técnicas possíveis, para melhorar a qualidade de vida das pessoas, de acordo com os princípios regidos pelas normas regulamentadoras do Sistema Único de Saúde.

Atualmente possui um total de 79 leitos e um corpo clínico que atua nas áreas de:anestesiologista, clínico geral, cirurgia geral,fonoaudiologia, obstetrícia/ginecologia, ortopedia e pediatria, bem como outros profissionais capacitados, tais como enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, assistente social, farmacêuticos/bioquímicos e técnicos em radiologia, além de funcionários administrativos, higiene, limpeza, manutenção e transporte.

Parabéns, Hospital Carolina Lupion pelas suas Bodas de Diamante, 60 anos de trabalho árduo em prol da saúde de Jaguariaíva e região.

Rafael Gustavo Pomim Lopes*

*O autor é Historiador e membro da Academia de Letras dos Campos Gerais.

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