quarta-feira, janeiro 27, 2021
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Pirâmide Financeira – Alerta Pirâmide

Banco Central do Líbano?

Nos anos de 2019 e 2020 multiplicaram-se as pirâmides financeiras. As pessoas passaram a acreditar em tudo que gerasse lucro.

Parece que a oferta de lucro de 5% ao dia e a obrigação de trazer outras pessoas para o mesmo benefício tornou-se melhor do que qualquer investimento clássico.

Ocorre que as pirâmides financeiras, que consistem no pagamento de juros sem qualquer lastro, a não ser o numerário de outros participantes da pirâmide, se propagaram neste mundo de mentiras que passamos a viver.

Atualmente o Líbano tem uma inflação galopante, PIB em queda, confisco de contas correntes dos cidadãos e desvalorização do câmbio frente ao dólar, todas estas medidas promovidas pelo Banco Central daquele país.

Inicialmente, desde 1997 o padrão de vida de seus cidadãos foi elevado, bancado basicamente com a estratégia iniciada de congelar o câmbio da libra libanesa em relação ao dólar, permitindo com isso uma a moeda “estável” artificialmente.

O câmbio fixo permitiu que a população desfrutasse da manutenção do poder compra desde então, sustentando um estilo de vida elevado: a festa!

Porém, como nada costuma ser perfeito no mundo, o Líbano muito mais importava do que exportava, de sorte que o câmbio congelado era uma bomba relógio a explodir a qualquer tempo.

Esse esquema era insustentável a longo prazo, pois os juros pagos serviam apenas para sustentar o câmbio artificial. Exatamente como uma pirâmide financeira.

Porém, quando o fluxo de dinheiro acaba, igual destino tem a pirâmide ou o Banco Central.

De sorte que em 2002 o déficit comercial se instalou em níveis alarmantes em relação ao PIB, principalmente porque o BC do Líbano aplicava juros remuneratórios de 20% ao ano sobre depósitos em dólar, atraindo com isso o investidor estrangeiro.

Grandes conferências internacionais de Paris foram realizadas para apoiar financeiramente o Líbano com o auxílio internacional de muitos países (em 2001, 2002 e 2007).

Porém com a estagnação do capitalismo na última década, o fluxo de dólares diminuiu bastante no ano de 2019.

Por isso a solução brilhante do Banco Central Libanês foi bloquear as contas correntes privadas para capitalizar os Bancos do país com recursos dos próprios cidadãos, convertendo os dólares em libras libanesas. Uma beleza!

Evitando com isso a ruptura do sistema… (Será?)

Agora com hiperinflação, salários reduzidos em 1/5 do valor, bem como desemprego em 40% e dívida de 170% o valor do PIB anual, fruto de mais gastos públicos com corrupção e assistencialismo, algo parecido com o que acontece em outros países…

Estava formada a equação que desemboca sempre no mesmo resultado: decretação de moratória internacional.

Agora com a Pandemia da COVID-19, está formada a combinação perfeita para distribuição deste ônus aos cidadãos para eles arcarem aumento de impostos, diminuição de riquezas e de salários, sempre com a festa do Governo.

Portanto, da mesma forma que uma pirâmide financeira dever-se-ia processar por estelionato os respostáveis por tais políticas públicas criminosas que desembocam no superendividamento de um País, a custa de um crescimento não sustentando na produção, mas sim no puro consumo e na especulação.

O mesmo se aplica na vida comum dos cidadãos para que não percam as suas reservas financeiras com engodos fraudulentos de pirâmides financeiras e não se tornem vítimas do Banco Central.

(Aluísio Pires de Oliveira, sócio da Pires & Advogados Associados, advogado, Mestre em Direito das Relações Sociais pela UFPR, Especialista em Gestão de Qualidade pela UFPR/SENAI, www.piresadvogados.adv.br; fonte: https://www.sunoresearch.com.br/noticias/).

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