Cidades

Reviravolta em Arapoti: TSE anula votos do Solidariedade e atinge dois vereadores

Arapoti – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reformou decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e reconheceu fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024.

A decisão atinge diretamente o partido Solidariedade no município e deve resultar na perda dos mandatos dos vereadores Jean Carlos Klichowski e Edivaldo Almeida Pontes, eleitos pela legenda.

A decisão foi proferida pelo ministro Antonio Carlos Ferreira no Recurso Especial Eleitoral nº 0600232-63.2024.6.16.0164, interposto pelo Progressistas (PP) de Arapoti.

Entenda o caso

O PP ajuizou Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) alegando que a candidatura feminina lançada pelo Solidariedade teria sido fictícia, apenas para cumprir o percentual mínimo de 30% de candidaturas de mulheres exigido pelo artigo 10, § 3º, da Lei das Eleições.

O juízo eleitoral de primeira instância havia reconhecido a fraude e determinado:

  • Cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do partido;
  • Anulação dos votos do Solidariedade;
  • Cassação dos diplomas dos vereadores eleitos;
  • Inelegibilidade da candidata por oito anos.

O TRE-PR reformou essa decisão e afastou a fraude. No entanto, o TSE reavaliou o caso e entendeu que estavam presentes os elementos que caracterizam candidatura fictícia.

Fundamentação do TSE

Segundo o relator, a candidata obteve votação zerada em dois pleitos consecutivos (2020 e 2024), apresentou movimentação financeira considerada módica e não comprovou atos efetivos de campanha.

O ministro destacou que, conforme a Súmula 73 do TSE, a combinação de:

  • votação zerada ou inexpressiva,
  • ausência de campanha efetiva,
  • movimentação financeira irrisória,

pode configurar fraude à cota de gênero.

A Procuradoria-Geral Eleitoral também se manifestou pelo provimento do recurso, entendendo que o conjunto probatório indicava candidatura apenas formal para cumprir a exigência legal.

Consequências práticas

Com a decisão, o TSE determinou:

  • A cassação do DRAP do Solidariedade em Arapoti;
  • A nulidade de todos os votos obtidos pelo partido para vereador;
  • A recontagem dos quocientes eleitoral e partidário;
  • A inelegibilidade da candidata envolvida por oito anos.

Na prática, os vereadores Jean Carlos Klichowski e Edivaldo Almeida Pontes deverão ser diretamente prejudicados pela medida, com a perda dos mandatos após a execução da decisão e recontagem oficial dos votos.

Com a anulação dos votos do Solidariedade, outras legendas poderão ser beneficiadas na redistribuição das cadeiras da Câmara Municipal.

A decisão foi publicada em 27 de fevereiro de 2026 e as partes já foram intimadas. Ainda cabem medidas internas, como eventual agravo, mas a decisão do TSE representa uma reviravolta no caso e altera o cenário político no Legislativo de Arapoti.

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