A historiadora e professora aposentada Maria de Lourdes Osternach Pedroso faleceu neste domingo, 04, aos 85 anos, em sua residência. Nascida em 15 de setembro de 1940, era filha de Osmar Pedroso e Alda Osternach Pedroso, e construiu uma trajetória marcada pela dedicação à pesquisa, ao ensino e à preservação da memória histórica regional.
Recentemente, Maria de Lourdes foi homenageada pela Prefeitura Municipal de Arapoti, em cerimônia realizada no mês de outubro, no Casarão, local onde viveu parte da infância e considerado o Marco Zero de Arapoti. O reconhecimento emocionou familiares, autoridades e convidados, destacando a forte ligação da historiadora com a formação histórica e cultural do município.
Poucas semanas depois, no no último dia 22 de dezembro, Maria de Lourdes esteve pela última vez em Arapoti, novamente no Casarão, prestigiando o lançamento do livro sobre a história do município, de autoria do historiador e ex-vereador Divair da Silva. Sua presença no evento foi recebida com carinho e simbolismo, reforçando seu papel como referência viva da memória regional.
Formada em História em 1966, pela então Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras, Maria de Lourdes tornou-se uma das mais conceituadas estudiosas da história de Ponta Grossa e dos Campos Gerais. A partir de 1971, lecionou disciplinas como História Geral, História do Brasil, História do Paraná, Organização Social e Política do Brasil, além de Moral e Cívica, contribuindo decisivamente para a formação de gerações de estudantes.
Entre 1982 e 1989, atuou como Técnica em Assuntos Culturais da UEPG, com participação relevante na organização do Museu Campos Gerais, fortalecendo seu compromisso com a valorização do patrimônio histórico e cultural.
Autora de diversas publicações, deixou obras que se tornaram referência para educadores, pesquisadores e leitores, entre elas: Ponta Grossa – um pouco de história (1985), A Princesa das crianças (1989), É uma cabeça fresca (1989), Uma história pra nossa gente (1990), Tistá no tempo dos jesuítas (1993), Tistá no tempo dos tropeiros (1994), De como aconteceu (2000) e De como aconteceu 2 (2002). Também colaborou com a seção “Nossa Terra”, da revista Top Magazine.
Ao longo de sua trajetória, recebeu inúmeras homenagens. Em 1992, foi agraciada com o Prêmio Rotary, como destaque na área da Educação. Nos anos de 1995, 1998, 2001 e 2002, foi escolhida como nome de turma dos formandos do Curso do Magistério do Colégio Sagrada Família. Em 2003, recebeu Diploma de Reconhecimento Público da Câmara Municipal. Em 2012, a Prefeitura instituiu o Concurso Nacional de Literatura Infantojuvenil “Maria de Lourdes Osternach Pedroso”, perpetuando sua contribuição cultural e educacional.
Seu nome integra o Dicionário de Folcloristas Brasileiros, de Mário Souto Maior, e o Dicionário de Mulheres, de Hilda Agnes Hübner Flores. Maria de Lourdes era membro efetivo do Centro Cultural Faris Michaele e do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense.
Na vida acadêmico-literária, tomou posse na Academia de Letras dos Campos Gerais em 2 de junho de 1999, como fundadora da cadeira nº 37, em cerimônia realizada no Clube Pontagrossense, sendo recepcionada por Túlio Vargas, então presidente da Academia Paranaense de Letras. Na entidade, exerceu também as funções de bibliotecária e tesoureira.
Velório e sepultamento
O velório ocorre na Capela do Luto Santana, em Ponta Grossa. O sepultamento está previsto para esta segunda-feira, 05. A funerária responsável é a Santana.
Maria de Lourdes Osternach Pedroso deixa um legado de conhecimento, sensibilidade e compromisso com a história, permanecendo como referência essencial para a cultura e para a memória dos Campos Gerais e de Arapoti.
Com Rafael Pomim


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