A recente polêmica envolvendo o projeto de auxílio-alimentação no Legislativo de Arapoti abriu espaço para um debate mais profundo e necessário: o peso da máquina pública sobre as finanças municipais e, principalmente, sobre o bolso do cidadão comum.
Em muitos municípios brasileiros, a folha de pagamento do funcionalismo público consome uma fatia tão grande do orçamento que ultrapassa — ou ameaça ultrapassar — o limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Salários acima da média da iniciativa privada, estabilidade no emprego e uma série de benefícios legais acabam formando uma realidade paralela, distante da vivida pela maioria da população.
Essa é uma realidade que o brasileiro comum não tem. Pelo contrário: é ele quem banca essa conta. O trabalhador da iniciativa privada, o pequeno empresário, o autônomo, o agricultor e o comerciante são os que sustentam, por meio de impostos cada vez mais altos, uma estrutura estatal que frequentemente gasta mais consigo mesma do que com políticas públicas efetivas para a coletividade.
Quando o pagamento do funcionalismo abocanha a maior parte do orçamento, sobra menos dinheiro para investimentos essenciais: saúde, educação, infraestrutura, segurança, geração de emprego e desenvolvimento. O município passa a operar no limite, com pouca margem para crescer ou melhorar a qualidade dos serviços oferecidos à população.
É comum ouvir de agentes políticos o discurso da “valorização do funcionalismo público”. Sem dúvida, servidores devem ser respeitados e ter condições dignas de trabalho. Mas a pergunta que precisa ser feita — e raramente é — permanece: e a valorização do cidadão comum?
Quem valoriza o contribuinte que enfrenta jornadas exaustivas, insegurança no emprego, inflação, juros altos e serviços públicos muitas vezes insuficientes? Quem defende o equilíbrio entre justiça social, responsabilidade fiscal e eficiência do Estado?
Refletir sobre o tamanho do gasto público não é atacar servidores, mas discutir prioridades. Um Estado saudável é aquele que serve à população — e não o contrário.
Diego Soares


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