Escolas de Arapoti e Jaguariaíva estão no pacote de privatizações do Governo do Estado

Projeto está em tramitação na Assembleia Legislativa em regime de urgência

Escolas de Arapoti e Jaguariaíva estão no pacote de privatizações do Governo do Estado

Arapoti – Nesta terça-feira, 28, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP/PR) aprovou o projeto de Lei 345/2024 que institui o programa “Parceiro da Escola”. Este programa, de autoria do Executivo Estadual, se aprovado em plenário e sancionado pelo Governador Carlos Massa Ratinho Júnior permitirá que 200 escolas públicas estaduais possam ser geridas por empresas privadas.Apenas dois deputados votaram contra na CCJ; Arilson Chiorato e Requião Filho.

Dentro do pacote do projeto, estão duas instituições de ensino da região; o Colégio Carmelina Ferreira Pedroso de Arapoti e o Colégio Estadual Rodrigues Alves (Cera) de Jaguariaíva. A proposta causou polêmica e espanto em grande parte da comunidade acadêmica. A APP-Sindicato, organização representativa da classe dos professores estaduais, se manifestou totalmente contrária à matéria e inclusive convocou greve geral.

Após a aprovação da CCJ da Assembleia, o projeto seguiu para a Comissão de Educação onde teve pedido de vistas solicitado pelo deputado Professor Lemos com o objetivo de analisar e debater melhor a matéria. O texto deve novamente passar por apreciação dos parlamentares da comissão na próxima segunda-feira, 03. Se aprovada, ela seguirá para aprovação no plenário do legislativo paranaense.

Professores protestam

Em Arapoti, professores do Carmelina Ferreira Pedroso se uniram nesta terça-feira para protestar contra a medida. “Este projeto foi enviado em regime de urgência e não discutido com a comunidade acadêmica. Esse regime de terceirização vai tirar a autonomia da escola e vai repassar para uma empresa que tem a finalidade de obter lucro. Então, o Governo vai subtrair a responsabilidade do Estado, que seria o de garantir uma Educação de qualidade e excelência e passar para uma empresa. E nós sabemos que uma empresa aplicará esse dinheiro de forma conveniente a ela, muitas vezes em detrimento de uma educação de qualidade” falou o professor de português, João Carlos.

Outros professores do Carmelina também reforçaram o coro contrário ao projeto. “Nós como professores nos reunimos e somos totalmente contra, porque somos filhos da educação pública. Nós pedimos o apoio das famílias, dos alunos, que nos apóiem. Hoje é a nossa escola que está passando por isso, amanhã podem ser as demais” falou o professor Cristovão. “Nós fomos pegos de surpresa. É lamentável que em pleno século 21 tenhamos uma politicagem por parte do Governador colocando a Educação do Paraná em xeque, por um regime totalmente absolutista, fazendo as coisas acontecerem a toque de caixa sem ouvir a comunidade escolar” complementou o professor Sidnei.

A direção da escola preferiu não se manifestar, mas admite que foi pega de surpresa com a inclusão do Carmelina Ferreira Pedroso no pacote de privatizações, principalmente por ser um colégio que apresenta bons índices e níveis educacionais, inclusive com a boa freqüência escolar dos 370 alunos da instituição.