quinta-feira, outubro 21, 2021
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Alimentos e bebidas crescem e investem R$ 5 bilhões no Paraná

Copagril em Marechal Cândido Rondon
Copagril em Marechal Cândido Rondon

Apesar da recessão, as indústrias de alimentos e bebidas vêm conseguindo driblar a crise e seguem em crescimento no Paraná. Juntos, os dois setores geram 192,1 mil empregos formais e movimentam R$ 57,7 bilhões em vendas por ano no Estado. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com análise do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

Desde 2011, esses setores já investiram R$ 5,05 bilhões no Estado, apoiados pelo programa de incentivos fiscais Paraná Competitivo, com geração de 52 mil empregos, de acordo com dados da Agência Paranaense de Desenvolvimento (APD). Além disso, dos R$ 9 bilhões em projetos em análise atualmente dentro do programa, cerca de R$ 5 bilhões referem-se a investimentos de Alimentos e Bebidas.

“Os alimentos são itens de primeira necessidade e não dependem de crédito para a compra, como os bens duráveis. Por isso são mais resistentes aos cortes no orçamento realizados pelas famílias durante a crise”, diz Julio Suzuki Júnior, diretor-presidente do Ipardes. “Em tempos de retração, o comportamento da indústria de alimentos costuma se desvincular das demais atividades industriais”.

JANEIRO A MAIO – A produção de alimentos acumula, de janeiro a maio deste ano, crescimento de 3,5% na comparação com o mesmo período do ano passado no Paraná. No setor bebidas, a alta acumulada é de 11,5% na mesma base de comparação, de acordo com dados mais recentes do IBGE.

O resultado do Paraná contrasta com o comportamento desses dois setores no Brasil. No mesmo período analisado, a indústria de alimentos registrou menos 2,7% e a de bebidas teve retração de 1,8%.

PRINCIPAL DO PARANÁ – Com forte investimento realizado nos últimos anos, a indústria de alimentos já é a principal do Paraná. Foi responsável por 24,4% do valor da transformação industrial em 2014, de acordo com dados mais recentes da Pesquisa Anual Industrial (PIA) do IBGE. Está à frente de outros setores importantes, como fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (com 17,2%) e fabricação de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (9,5%). Em 2008, a participação da indústria de alimentos era de era de apenas 18,1%

DESENVOLVIMENTO – Uma combinação de fatores ajuda a explicar o crescimento do setor nos últimos anos, de acordo com Suzuki Júnior. A oferta de matéria-prima, com uma produção agropecuária representativa no Estado, faz com que a indústrias de alimentos e bebidas se desenvolvam e apostem em investimentos em novas fábricas e expansão de produção.

APOIO DO BRDE – As cooperativas agropecuárias, com apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), investiram fortemente na industrialização da produção do campo nos últimos anos. Somente no setor, foram R$ 951 milhões desde 2011, de acordo com a APD.

EMPREGOS – Boa parte da produção da indústria de alimentos paranaense é voltada, também, para as exportações, o que ajuda a compensar a baixa atividade e a queda no consumo mercado interno.

“Além disso, a indústria de alimentos, ao contrário do setor automotivo, por exemplo, não paga salários muito altos, mas emprega muita gente. Isso não apenas nas fábricas, mas em toda a cadeia envolvida, da produção no campo ao transporte”, acrescenta Suzuki Júnior.

Essa característica, de acordo com o economista, traz uma vantagem para o Estado, que, com o desemprego em alta, tem conseguido segurar o aumento da desocupação, principalmente no Interior do Estado. A maior parte dos investimentos do setor se concentra nas regiões Oeste, Sudoeste e dos Campos Gerais.

APOIO – O apoio do Governo, por meio do programa de incentivos Paraná Competitivo, tem garantido suporte aos investimentos do setor. Além disso, outros fatores têm sido determinantes para atrair projetos de fabricação de alimentação e bebidas no Estado.

“O Paraná sempre esteve na liderança do setor agroindustrial e mesmo no momento na crise o setor não foi afetado. Além disso, os preços das commodities atrelados ao dólar subiram privilegiando o setor”, diz Daniel Dall’Agnol, responsável pelos estudos na área de agroindústria da APD.

Outro fator que atraiu empresas do setor foi o fato de a crise hídrica, que afetou outros Estados, não ter ocorrido aqui, consolidando o Estado do Paraná como uma fonte segura de água.

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