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Jaguariaíva perde José Axt, o professor que ajudou a cidade a conhecer sua própria história

Jaguariaíva – Faleceu nesta quarta-feira, 16, aos 92 anos, o professor e historiador José Axt, uma das principais referências na pesquisa e na preservação da história de Jaguariaíva e da região. Conhecido carinhosamente como “Juca Axt”, construiu uma trajetória marcada pela dedicação à educação, à vida pública e ao registro de personagens e acontecimentos que ajudaram a formar a identidade do município.

Nascido em Jaguariaíva em 7 de novembro de 1933, era filho de Vitória e André Axt. Iniciou os estudos no Grupo Escolar do Bairro Matarazzo e prosseguiu no Ginásio Estadual de Jaguariaíva, atual Colégio Estadual Rodrigues Alves. Licenciou-se em História e Geografia pela então Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Ponta Grossa, hoje Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Sua atuação como educador marcou gerações de estudantes. Lecionou História e Geografia em instituições como os colégios estaduais Rodrigues Alves e Padre José de Anchieta, dirigindo este último entre 1989 e 1990. Também esteve à frente da Escola Municipal Júlio de Mesquita Filho, de 1991 a 1993, contribuindo para os primeiros anos de funcionamento da instituição.

A dedicação à memória local ganhou especial expressão em 1997, quando assumiu a chefia do Arquivo Histórico Municipal Professor Bertoldo Ihlenfeldt, na Casa da Cultura Professor Doutor João Batista da Cruz. Nesse trabalho, aprofundou pesquisas sobre famílias, acontecimentos e transformações de Jaguariaíva, reunindo conhecimentos que se tornaram fonte para pesquisadores e para a comunidade.

Entre suas publicações estão o estudo genealógico “Jaguariaíva: nossa terra, nossa gente” e a revista “Jaguariaíva: do tropeirismo aos dias atuais”, lançada em 2000. Foi também uma das fontes orais da historiadora Angela Brandão para o livro “Memórias: Frigorífico das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo em Jaguariaíva”, publicado em 2000 e reeditado em 2007. Sua ligação com essa história vinha também da família: seu pai havia trabalhado no frigorífico das Indústrias Matarazzo.

Colaborador de jornais e revistas locais e regionais, José Axt compartilhou suas pesquisas com leitores de diferentes gerações. Seu trabalho tornou-se referência em produções acadêmicas, incluindo trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado, ampliando o alcance de sua contribuição à historiografia regional.

Além da educação e da pesquisa, trabalhou na Rede Ferroviária Federal e teve participação na vida esportiva do município, como desportista e presidente do Esporte Clube Recreativo Ferroviário e integrante da diretoria da Liga de Futebol Regional de Jaguariaíva. Na vida pública, foi eleito vereador em 1982 e dirigiu o Departamento Municipal de Indústria e Comércio entre 1993 e 1996.

Em reconhecimento à sua trajetória, recebeu, em 15 de setembro de 2019, o Título de Cidadão Benemérito de Jaguariaíva, por iniciativa da vereadora Sandra Negrini. Em 2024, foi homenageado publicamente durante o lançamento do livro “Jaguariaíva 200 anos: história & memória”, organizado pelo historiador Rafael Gustavo Pomim Lopes. A homenagem reconheceu sua contribuição à preservação da memória do município e sua importância para as gerações de pesquisadores que deram continuidade a esse trabalho.

Na vida familiar, foi casado com a professora Izabel Costa, com quem teve as filhas Maria José, Maria Filomena e Maria Valéria. Após ficar viúvo, viveu em segunda união com Edi Axt.

A morte do professor José Axt representa uma perda significativa para a educação e para a memória regional. Permanecem suas publicações, os conhecimentos transmitidos em sala de aula e a contribuição às pesquisas de tantos outros estudiosos. Ao dedicar sua vida a registrar nomes, trajetórias e acontecimentos, ajudou a impedir que parte da história de Jaguariaíva se perdesse no esquecimento. Seu nome passa a integrar, de maneira definitiva, a memória que tanto trabalhou para preservar.

Por Rafael Pomin

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